sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sábado

Ah! Insensatez, dos poucos momentos
Faz-se hoje em meu peito longos anos
Os quais não sinto mais.
Na pálida face pouco se vê,
Pouco tudo, quase nada, que pensar?
Passam-me as horas na obtusa e quase clara
Intenção de algo querer,
Quero tanto, o tal querer.
Maniqueísta sou, sim, sou.
Sou em mim agora, como antes disse,
Tudo o que nunca imaginei
Sou pálida parte daquilo que já teve cor
Fui face obtusa não obstante do nada que via,
Já não sei se sou ou fui eu, passou-te o tempo também,
Só queria se quereria eu, quem sabe,
Algo. Algo mais.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Abismo

A janela se abre como que com vontade propria,
Tudo voa, tudo soa, nada acalma.
Acalento de ser eu mesmo, eu, quem seria?
Ah! Deixo aquilo ali, isso aqui,
não sei medir os metros que me separam
do ser eu, eu que não sei medir nem centímetros
Da soleira de minha janela que se abre
tenho apenas dois grãos de areia de tamanho
o tempo se passa em brisas que me movem
Daqui prali são só dois cigarros.
Pára!
Que me deixem sentar e só olhar.
Que me deixem lavar a alma de vinho,
Que me deixem ser atrevido, obsoleto,
Que me levem à cafeteria, sorveteria,
sem metros de distância, sem medidas
Que me deixem.
Sou agora o que não medi antes,
O quanto eu te falei
Nunca foi nem será suficiente
Falar do que foi
Não vai me tirar da minha cadeira
Quero os dois cigarros
Pra medir em mim a profundidade de uma alma.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Fin du Monde

Desprezo a previsão,
O troco,
A troca.
Levo assim o acaso
Ao seu caso,
À sua casa.
E não se desespere,
Nem me espere,
Ou se esmere.
O que não se vê
É o que não se vê.
Fim de um mundo,
Começo do nada.
Ou só a dobra na estrada.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pra toda distância

Meu sorriso sol,
Já se Poe no horizonte
Engolido pela linha do ver e crer
E deixa rosa o mundo
Meu olhar, meu ser.
Desceu no duro chão abstrato
De todo dia, fim de tarde,
Naquela senil nota de rodapé
Nem com toda cor se fez alarde.
A brisa queima frio na face
E o sol sobe como nunca antes
Amarela meu olhar, meu ser, meu monte.
E deixa colorsol a manhã que se segue,
Clareando toda uma não existência,
Que só o sol sabe criar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

23 Apr

Ver de novo tudo pela opacidade
Crer assim que nada me conforta
Esse mundo que somente me reporta
À luz cega transviada da sanidade.

Cobaia desumana, humanamente, retalhada,
Se albergou em qualquer peito que viu.
E nem sequer com um tiro em seu próprio sentiu
A queda em que sua vida se mostra espalhada.

Cacos! São todos que se fazem vis,
Querelantes, quimeriantes, alternativos.
Explodem sem motivos, em seus lares cativos
Nunca quiseram nada, como sempre quis.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Se'm'ente

Ai, giro tal, magnitude perfeita
do óleo que espalham pelo corpo
Suor crescente e incomparável.
Nada me salva.
Tic-taqueando me solto
Na falta dos minutos que já não lembro
Sem perceber que lembrá-los é notar
O nada que fiz com eles,
E a dor torna-se clichê.
Na passagem dos anos, que busquei
O prazer de tantas outras formas
Tantas quantas pudesse,
Só nela aprendi e repeti
Até não aguentar
Do prazer da dor do óleo
Dos olhos, olhares, do ocular hiperbato
No qual te perpetuo
O qual me pertorturo
Assim como só eu sei.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Fica bem

Sair sem olhar o relógio,
Andar na rua de barro que suja
A barra da calça e não demora
Pra atingir o chão que contagia os pés com movimento.
Dispara o peito na corrida dos minutos
Diminutos num dia cheio, trabalho e café,
Ainda tenho você na sala sentada
Com meu Tolstói arrebatador,
Mas é a rua que me leva, e eu vou
Saí sem olhar a hora, nem o dia e a chave no trinco,
Corri pra rua vendo o povo gritar mais uma tarde branca
Uma brancura que me fez correr e correr,
No meio de tantas outras cores.
A saudosa boca sedenta do sentir,
Horas que passam e fazem mais cinzas
Meu coração explode, eu tenho uma hora
De corrida no suor incandecente.
E vejo o sonho do outro lado da rua,
Dá-me os dedos pra que nada falte
Nada sobra da brancura, do trabalho ou do café.
Explode meu coração e tudo.
Fica bem...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

diminuta...

O agora passou passando bem devagarzinho
Se se faz tudo que quer, não estou sozinho
Deu no rádio e na TV
O mundo se cansou de solidão.
Sol de verão que queima a face
O protetor não é mais necessário
E como queria saber as belas artes
Das palavras soltas poder juntar
Pra contar ao povo todo do devagar do agora
Que passou a passar sem sol
Varreu o vale e a estrada
Do meu peito, nada ficou
Nas artes da solidão do vale e do necessário
Pra saber ver o sol só mais uma vez
No pé da estrada empoeirada.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Inconnu

- Realmente, eu não posso dar.
Não insista, por favor, já disse e repito.
Aquilo tudo, aqueles simples fatos,
Nada que o tempo não cure,
E se não curar, perdoa-me e toma um café...
Vai! Segue tua vida, segue que o caminho é longo,
E eu sou nada mais que um transeunte na tua estrada.
Insistir em um sonho é pura estupidez, tão tola.
Por deus, encarecidamente te peço que parta,
Vais daqui e leva contigo essa angustia facial.
Minhas mãos já tremem de te ver assim,
Preciso de minha consciência limpa.
Porque me olhas tão fundo?
Não posso dar o que não tenho dentro de mim,
Não adianta. Nem toda dor do mundo vai te ajudar.
- Olhe para mim, por favor.
- Sua voz é semelhante a algo que já ouvi...
Mas não tente me amolecer com sua maldita voz!
Seus olhos doces já tão opacos,
Nenhuma lagrima me mudará!
Faz-me chorar quando eu deveria rir,
Odeio-te por isso, vá embora daqui.
Vá embora e leve consigo meu desprezo,
Leva-o no bolso pra que um dia possa usá-lo.
Guarda esse espelho que eu já sumirei.
E olharás para o infinito sem ver nossa face.
Não me chame até que passemos o horizonte.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lentes de Contacto (diários...)

Eis que um dia eu sentei na minha varanda, pude então ver o mar após dias em confinação ocular. Não era, meus olhos, um verdadeiro problema de minha incapacidade de transportar impulsos elétricos pelo nervo óptico, na verdade nem eu sei ao certo qual o problema. Sei que um dia acordei assim, lembrei de um maldito português que um dia escreveu algo do gênero, mas tudo não passou de um grande mal entendido. Pois que não estava realmente cego, só não queria enxergar as cores da vida como quase todos os outros. Sentado em meu quarto fiquei, quatro dias e quatro noites, quatro universos se mostraram e mais quatro se esconderam de minha provação, quando pude então entender: - Meus olhos eram pequenos pra ver. Então cansei-me de ver com os olhos e vaguei como cego pelo resto da vida, não que o fosse realmente, mas queria entender as coisas como são. O mundo me julgava cego, eu me sabia cego, os quatro universos que fugiram de mim e mais os quatro que vieram julgavam-me cego como uma porta. Nunca fui, porém, cego dos olhos, fui total e completamente, durante toda a vida de bom "enxergador", cego, surdo e mudo da alma.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pessoa

Digam-me, vocês, o que sei e o por que.
São, tu, muitos e eu um só,
Preso na ainda mente de um aspirante.
Diz-me o que, em sua cólica, pensou
E cospe teu fígado pra que alguma carne eu possa comer.
Distancio-me da humanidade das pessoas
A entreter-me com uma só pessoa.
Maldito colono, não me desprendi ainda
Deste teu nome, Alberto, pastor de montes.
No romance que leio, quase uma novela,
Meu herói é um cavaleiro do nada.
Sem cavalo conta-me estórias sem fim
De seus dias sem nenhum sentido.
Pego agora emprestado o seu óculos,
Nunca me disseram, é plural no singular.
Penso que assim seja com tudo que o rodeia
Sendo mais que um só que se vê,
Pra ver o mundo das mil formas possíveis.
Quem dera ser uma pessoa melhor,
Ou simplesmente um reflexo e pessoa.



P.S.: Ao além, sem metafísica, onde sentado permanece o homem-dado que me mostrou o mundo.

Te sinto.

O chão que piso diminui e
Um ou dois lugares vejo,
Aquele vento breve já se vai.
Meu rosto é o oposto do mundo.
Se te olho firme e não te basta
Me canso, já, ver-te piscar.
Aqui na janela ela não passa,
Do frio que foi,
Nada ficou.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Nefelibata.

Flutuar através das horas,
Dias inexistentes, onde nada...
É concreto o suficiente pra me acordar.
E continuo seguindo sem pensar.
O céu é nada,
Viver é nada,
Crer é instantaneamente nada.
Sentir é tudo.
Ai! Quem me dera...
Quem era eu?
Que não sentia esse calor perfeito e maduro
Formado no encontro de dois mundos.
Flutuar através das horas,
Nada que me faça distrair
O foco principal, pensar em nada.
O nada. Perfeitamente concreto
Como o outro nada que se concretiza
Em dias inexistentes que correm pela vida.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Inércia... (diários...)

Na mesa ainda estão as coisas espalhadas depois de um dia duro. Chaves sem cadeado, canetas sem mãos, pilhas sem controles, cigarros sem bocas. Nada em seu lugar devido e tudo em seu lugar dividido. Aquele corpo cansado só precisava de um pouco de música, era tudo o que precisava para se levantar daquele sofá manchado e acender um cigarro, mas o controle não tinha pilha, ele não tinha pilha.
Andar era seu passatempo até o dia em que foi sutilmente abordado por uma vítima do sistema cruel e perdeu quase toda sua dignidade em algumas frases mal trocadas que levaram seus últimos trocados do mês. A valsa do desencontro e do desconcerto continuava a reger sua orquestra chamada de vida até aquele dia. O dia das coisas espalhadas.
Sentava no mesmo banco do parque todo dia e esperava os mesmos pombos encostarem o suficiente pra que não se sentisse tão só. Sim, era só, e era só ele quem via sua própria solidão. Doses cavalares de alguns estimulantes levavam sua pequena quase inexistência à um nível de suportabilidade menos agressivo, tudo que não podia ser feito se fez e aquilo que era possível nunca aconteceu.
Na mesa ainda se viam as coisas espalhadas depois de um dia comum, no sofá ainda era possível enxergar a pequena compleição física que se considerava humana após um dia duro, só ele via o impossível e impossível era compreender o porquê de ninguém mais ver. Mas nada é em vão.
Tudo se fez claro quando adentraram o pequeno cubículo onde se escondia durante as noites frias. Fácil demais perceber como o mundo dele funcionava, chaves sem cadeado, canetas sem mãos, pilhas sem controles, cigarros sem bocas, tudo em um desarranjo perfeito e notório. O latim em sua parede, o inglês de sua quase fala, o grande vácuo que o separava do resto do mundo.
Saiu de casa um dia como quem vai comprar cigarros e tomar um café, andou até não poder mais com os próprios pés, andou como quem nunca vai voltar. Deixou pra trás o latim, o inglês e o vácuo. A chave, a caneta, a pilha e o sofá. Levou consigo o cigarro. De fato nunca mais voltou.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Meu muro. (diários...)

O muro alto nos separa. Até hoje não sei quem foi o maldito que me mostrou sua concreta e perfeita moldura, mas o fato é que existe.
Durante muito tempo enfeitei o tal muro, besteiras que dizem mais que verdades, verdades que são como o nada e simplesmente se tornam besteiras, mas continuei a enfeitá-lo. Certo dia, ao acordar, percebi o muro se transformar em cerca, como aquelas dos filmes non sense americanos, e tudo começou. O mundo já não era o mesmo, já não podia pendurar minhas besteiras, talvez o peso das verdades tenha-o derrubado.
Saí a procura de outra casa, uma na qual eu pudesse contar novos enfeites de parede e vangloriar-me para meus visitantes. Não era tão grande, nem tão bela e urbana, mas era suficiente. Uma pequena e barroca casa amarelo-manga.
Fiz de mim meu muro, junto com meus cadernos, e coloquei neles as minhas verdades. Vangloriar-me? Não pude, já não vinha ninguém, o muro era alto demais, muito mais alto que meu Ego permitia. Então, numa manhã de quinta, coloquei abaixo toda minha existência e decidi tornar-me Eu, o sem enfeites.

diários...

Passei um dia na frente de um prédio antigo e me vi de encontro com uma imagem que me tirou de centro. Não entendi bem as escrituras em sua fronte, nem as tantas marcas em sua "casca", mas isso não era nada perto do que me estupefou. Era velho, bem castigado pelo vento da orla e pelas inúmeras tentativas de arrombamento que podem ter sido feitas, era tão lindo. Em sua calçada se via um mendigo com um cigarro na boca cantando musicas de seu tempo. Não sei ao certo por quanto tempo se encontrava assim, talvez pelo mesmo tempo que o prédio se mostrava como era. O que mais me intrigou foi sua porta principal totalmente lacrada por tijolo e cimento. Como desejei penetrar fundo em sua existência e descobrir sua intimidade.
O prédio falou comigo, o mendigo não...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

1, 2, 3...

Testando, alguém aí?
Bom eu só queria dizer que tá tudo bem. É, aquilo tudo passou.
Não sei se volto pra o café, acho que nem volto mais. Fica bem tá?
Cuida do cachorro e ensina o bicudo a cantar, tanto sonhei em vê-lo cantar.
Tá, não tá tudo tão bem assim, não sei se foi só um momento mas tava tudo bem, há alguns segundos que se passaram ou só fugiram.
Desisti do dinheiro, e do amor. Resolvi deixar a vida me levar pelos cantos em que cantarem. Ah, e se cantarem a nossa canção, lembra de mim e deixa tudo igual. Já não lembro como ela começa mesmo, nem como tudo começou.
Ainda tem umas coisas que tenho de fazer, e não, não cabe mais você em meu caminhar. Pensei que andar de mãos dadas era mais fácil.
Deixa o sofá no mesmo canto, odeio que mudem de hábitos, que mudem os átrios.
Cuida-se, e não jogue fora meus vinis. Quem sabe um dia eu volto.




teste, só um teste.