segunda-feira, 5 de maio de 2008

Meu muro. (diários...)

O muro alto nos separa. Até hoje não sei quem foi o maldito que me mostrou sua concreta e perfeita moldura, mas o fato é que existe.
Durante muito tempo enfeitei o tal muro, besteiras que dizem mais que verdades, verdades que são como o nada e simplesmente se tornam besteiras, mas continuei a enfeitá-lo. Certo dia, ao acordar, percebi o muro se transformar em cerca, como aquelas dos filmes non sense americanos, e tudo começou. O mundo já não era o mesmo, já não podia pendurar minhas besteiras, talvez o peso das verdades tenha-o derrubado.
Saí a procura de outra casa, uma na qual eu pudesse contar novos enfeites de parede e vangloriar-me para meus visitantes. Não era tão grande, nem tão bela e urbana, mas era suficiente. Uma pequena e barroca casa amarelo-manga.
Fiz de mim meu muro, junto com meus cadernos, e coloquei neles as minhas verdades. Vangloriar-me? Não pude, já não vinha ninguém, o muro era alto demais, muito mais alto que meu Ego permitia. Então, numa manhã de quinta, coloquei abaixo toda minha existência e decidi tornar-me Eu, o sem enfeites.

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