terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lentes de Contacto (diários...)

Eis que um dia eu sentei na minha varanda, pude então ver o mar após dias em confinação ocular. Não era, meus olhos, um verdadeiro problema de minha incapacidade de transportar impulsos elétricos pelo nervo óptico, na verdade nem eu sei ao certo qual o problema. Sei que um dia acordei assim, lembrei de um maldito português que um dia escreveu algo do gênero, mas tudo não passou de um grande mal entendido. Pois que não estava realmente cego, só não queria enxergar as cores da vida como quase todos os outros. Sentado em meu quarto fiquei, quatro dias e quatro noites, quatro universos se mostraram e mais quatro se esconderam de minha provação, quando pude então entender: - Meus olhos eram pequenos pra ver. Então cansei-me de ver com os olhos e vaguei como cego pelo resto da vida, não que o fosse realmente, mas queria entender as coisas como são. O mundo me julgava cego, eu me sabia cego, os quatro universos que fugiram de mim e mais os quatro que vieram julgavam-me cego como uma porta. Nunca fui, porém, cego dos olhos, fui total e completamente, durante toda a vida de bom "enxergador", cego, surdo e mudo da alma.

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