quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pra toda distância

Meu sorriso sol,
Já se Poe no horizonte
Engolido pela linha do ver e crer
E deixa rosa o mundo
Meu olhar, meu ser.
Desceu no duro chão abstrato
De todo dia, fim de tarde,
Naquela senil nota de rodapé
Nem com toda cor se fez alarde.
A brisa queima frio na face
E o sol sobe como nunca antes
Amarela meu olhar, meu ser, meu monte.
E deixa colorsol a manhã que se segue,
Clareando toda uma não existência,
Que só o sol sabe criar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

23 Apr

Ver de novo tudo pela opacidade
Crer assim que nada me conforta
Esse mundo que somente me reporta
À luz cega transviada da sanidade.

Cobaia desumana, humanamente, retalhada,
Se albergou em qualquer peito que viu.
E nem sequer com um tiro em seu próprio sentiu
A queda em que sua vida se mostra espalhada.

Cacos! São todos que se fazem vis,
Querelantes, quimeriantes, alternativos.
Explodem sem motivos, em seus lares cativos
Nunca quiseram nada, como sempre quis.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Se'm'ente

Ai, giro tal, magnitude perfeita
do óleo que espalham pelo corpo
Suor crescente e incomparável.
Nada me salva.
Tic-taqueando me solto
Na falta dos minutos que já não lembro
Sem perceber que lembrá-los é notar
O nada que fiz com eles,
E a dor torna-se clichê.
Na passagem dos anos, que busquei
O prazer de tantas outras formas
Tantas quantas pudesse,
Só nela aprendi e repeti
Até não aguentar
Do prazer da dor do óleo
Dos olhos, olhares, do ocular hiperbato
No qual te perpetuo
O qual me pertorturo
Assim como só eu sei.