terça-feira, 4 de novembro de 2008

Abismo

A janela se abre como que com vontade propria,
Tudo voa, tudo soa, nada acalma.
Acalento de ser eu mesmo, eu, quem seria?
Ah! Deixo aquilo ali, isso aqui,
não sei medir os metros que me separam
do ser eu, eu que não sei medir nem centímetros
Da soleira de minha janela que se abre
tenho apenas dois grãos de areia de tamanho
o tempo se passa em brisas que me movem
Daqui prali são só dois cigarros.
Pára!
Que me deixem sentar e só olhar.
Que me deixem lavar a alma de vinho,
Que me deixem ser atrevido, obsoleto,
Que me levem à cafeteria, sorveteria,
sem metros de distância, sem medidas
Que me deixem.
Sou agora o que não medi antes,
O quanto eu te falei
Nunca foi nem será suficiente
Falar do que foi
Não vai me tirar da minha cadeira
Quero os dois cigarros
Pra medir em mim a profundidade de uma alma.

3 comentários:

lalai disse...

o que que eu posso dizer?
quem sou eu pra dizer qualquer coisa ante tamanha belezura! ;D

eu já te falei que vc é um gênio?
hahaha.
beijo.

Fabrício disse...

Você escreve muito bem e suas imagens são bem originais.

Gosto desse geito "vai-e-vem" de escrever, onde em um lugar do poema você reflete sobre a sua alma e no outro você, ao invés de comentar sobre cantos escuros, campos infindos ou algo desse tipo, precisa somente de dois cigarros.

Poste mais vezes meu caro, vou vir sempre que atualizar.


Abraços

Felipe Braga# disse...

Gostei muito desse, Thiaguinho. Parabéns, meu caro!