terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pós

Mergulhei laranja no preto reluzente
Brilhei neblinado como manhã no campo
Desfiz-me em gotas já antes formadas fumaça
Caí no fundo opaco de um copo translúcido.
Do ontem nada fiz que não correr,
O tempo foge e eu vou atrás,
Ganho um, dois ou dez minutos,
Nada fiz do hoje, deixei escapar.
Amanhã talvez eu consiga.
O tictaquear dos ponteiros pulsa mais alto,
Sinto-me branco, redondo, engavetado,
Sublimando pelos segundos enquanto rolo
Nas roupas velhas de alguém perfeito.
Sim, pulei do monte,
Refiz-me ar ao bater em água,
Sem passos no chão, corri como um velhote,
Esbarrei no muro que só eu não vi,
Não, o tempo não...

2 comentários:

Laurinha disse...

Complicado é o tempo, mas ainda mais complicado é o que fazemos (ou não) dele.

Versos incisivos.

Monique Monteiro Almeida disse...

Acho que conheço bem esse sentimento sobre o tempo.