sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma mensagem de amor

Correm os sonhos
pois só os sonhos correm
minha pressa nem é minha
vagando uma coisa me move
sigo o rastro me faz parar
correm os sonhos
são dela
pois só sonhos dela correm
dentro de mim

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Só dela

olhos que não cansam de ver no escuro o que some
no silêncio de uma madrugada calada
enquanto em mim gritam todos os sentidos,
sou sozinho uma sinfonia em teu nome

sábado, 24 de abril de 2010

Sono e estrelas gritam
um coração que bate
e Devaneios.

Enquanto ela não vem

sem meio fio corre livre minha rua
descalça
... ... ...
pisável
impressionantemente sem fronteiras
mas o chão é justo onde não olho
eu, um chinelo e um pensamento
a cada centímetro que passa por mim

terça-feira, 20 de abril de 2010

Olhos ilegais

Surpresa, tão perto
me beija a face e sorri
a visão escurece, eu vi
o caminho não era certo
endireitar enfeitado
em frente ao espelho

a bússola que nao era razão
nunca foi loucura
ela, eu e ternura
sentados ao sol de um verão
e contra toda a contra-mão
olhar pro céu e sonhar

domingo, 18 de abril de 2010

dibujos en mi cielo que se quedan

Aqueles que procuro
me fogem às pressas
lá de longe trazem
em retorno a tempestade
com solos de bandolim
e um sorriso raiado
rasga o céu agoniado
desagua sobre mim
uma nuvem desenhada

Só dela

Som particular do despertar
tira o ar, queima, pele
a mente já não é só dele
desbravada por olhos longínquos
Ninam a manhã e poesia
filhos da mesma união
uma só construção
e as vontades de um colchão

Para ela

A batida entra de lado
no coração e sua forma
Sente o peito e o fado
o sentimento não deforma
a linha reta da via
tortuosa rua nos guia
por bem traçadas letras

sábado, 17 de abril de 2010

Aquiescer

O rolar na cama
floreada de sonhos
onde pés se misturam
e promessas se juram
aquietam a boca
Inquietam a alma
no silêncio voraz
meus olhos te tem

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Resposta ( dentro da garrafa )

ventei frio pelas dobras do alto
Espumas brancas de um Mar altivo
saltos de um coração revolto
encontro na praia
a paz
e uma concha
debaixo da cabeceira
Seu cabelo enrosca
o pensamento e tira
meu ar
tecidos com os dedos
afagos

Só dela

quando é bem tarde e
Morfeu me abraça o corpo
deito em vitrais coloridos
Mosaicos todos sortidos
per-passam em minha frente
decoram minha janela
de metros sem medida
um céu riscado de vela
minha porta só dela

pelo infinito

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O lembrar do sono

Silente em minha cama larga
cai o céu pra deitar em mim
cobertor, pó de estrela e jasmin
dançam juntos madrugada adentro
A pele sente outra pele perto
noite de um corpo descoberto
trinca e arrepia com frio
o calor doutra pele certa
de sonhos e lençóis de seda

Gotejar

De ponta a ponta deixar molhar
a chuva acaricia as duas faces
a faísca que pula no entre-olhar
sambando num jazz particular
tornando um só,
o antes, partes.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O cheiro do amanhã

À janela ela sente
o cheiro de café e broa
minha mente sempre povoa
meu olfato com poesia

E do sofá eu vejo
a silhueta fina
por entre véus de fumaça
a manhã me fascina

dona do meu tempo
Tempo e sentir

O deitar

Deitam nos lençóis verde claro
Que cobrem o corpo devagar
Batidas de um coração vazio
Imenso como a cama que se estende
Completamente cheia de sono
Dorme,
Esquinas de vapor
gotejam
a noite.

O despertar

Tecem fios suaves,
Sobre a mesa quase branca,
Pequenos pedaços de mim
Por entre xícaras e sono...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Orquestrado

Sublimo entre minutos sem bordas
Surdo, o mundo me leva
Distante do destino que espera
Aquecer as mãos que já não tocam
A face do espelho que me mostra
Noutro rosto, tão suave a vaidade
Me carrega, música poente
Sinfonia calada
Grita no peito
Delirante...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Onde o pensamento faz a curva

Ser vento que risca distância
Faz curva onde ninguém sabe
Sopra as folhas do jardim
Carrega poesia que arde
Refresca a boca carmim
Toca o meu seio da face
Tira a falta de mim.

Aquela falta que não se sabe
Se é do tudo ou do nada
Dentro de uma madrugada...

domingo, 11 de abril de 2010

Som do relógio.

No toque da viola e dos versos soltos
Não chega a morte que tudo carrega.
Medo do toque, medo da sorte,
Do nada que sobra no canto da sala.

Arrasta o que resta, medo da estrada,
Canta tristezas e elegias do sertão,
A noite na sola da botina encaixada
Com força nas rugas da face da Terra

Parte em segundos, tocados, farpados
Me tira de casa e arranca meu tento
O pálido rosto do sagaz relógio
O mundo aquém eu e meu medo do tempo.

sábado, 10 de abril de 2010

Contra toda sede

A água escorre da mão baixa,
Reflexos de um rosto se vão.
Surgem versos das gotas
Que à minha mão estão
Preenchendo o vazio
Que as más gotas deixaram.

Tudo pra dar de beber
A quem tem sede,
E saciar minha vontade
De ser sempre mais que poça,
Maior que nuvem carregada,
Quem sabe um dia, talvez, mar.

... ...


A poesia me encharcou. Me afogo sorrindo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A cuíca do tempo

Pras horas de seda que vão,
Minutos de aço que ficam.


Danço um samba desencontro sem pandeiro
Noite adentro na roda da ciranda
Pra , encontrado, o mundo inteiro
Saiba que lá longe vive meu samba
de pé ante-pé, leva meus dias
Sonolentos de noites perdidas
à procurar por aqui o tom certo
do samba que ouvi por aí.
por lá,
Dentro de mim, talvez.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A ponte entre dois pontos no infinito

Supera o concreto,
Sublima o incerto,
Satura o Silêncio,
Completa de cor um quadro que venho pintando com a ponta dos dedos.


dedos que não são só meus.

Ponteiros de um e de dois

Minha bússola quebrou,
Não há mais nada no devido lugar.
Até meu peito aponta longe,
E diz não saber mais mirar.
Das poucas horas que senti
No meu relógio derretido,
Fogem-me minutos e minúncias,
Por entre um corpo aquecido
De segredos contados no escuro,
Neblinados por uma distância...

A distância que se retrai,
A neblina que se desfaz,
A bússola que não é razão.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Μορφεύς

Desci correndo pelos canais de uma rua torta,
Tudo o que eu queria era ver o dia raiar.
Tanto pé pra pouco chão, vai pedra, vai pedra...
Vem pedra, poste, placa, pedra, poste e placa
A areia me diz onde parar.
Desci correndo pelos raios de um raiar de sol torto,
e me escondi lá no fundo do horizonte,
Lá onde o calor é maior que tudo
Já não existe distância, Pour la Route
Le soleil inonde mien être...
Todos os meus pelos arrepiam,
Meus olhos nunca extraviam
do carnaval que não tem mais tento
Olho pra cima mudo e lento,
Perpetuo uma poesia
Dentro de um segundo ou um dia
Só pra ver você sorrir
E meu sol raiar denovo
Lá no horizonte que eu persigo
Onde ainda há fogo em mim...