sexta-feira, 25 de junho de 2010

meu teto pela noite adentro

no escuro nada
é menos visível
os cantos do espelho
desbrilho incrível
solidão de quatro cantos
pedaços e saudades
em sombra na parede
brincam em suas formas
recortam e recriam
barulhos que pareciam
em meio à madrugada
alguém que chega de manso
e invade pela pele
eriçar do toque frio
que nem o medo repele
eu e meu fantasma
pequeno e quase vazio
pedacinho
eu sozinho
e o estar só.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Porcelanas da minha parede

da areia ao toque
só existem cristais
do que seria o tempo
calcificado na veia
pois que dessa areia
meus pés sempre voam

pular de nuvens e gotas
entre teclas de um piano
marfim perfeito e sincronismo
pinto seu rosto no céu
com notas de expressionismo
e estrelas que brilham de dia

quinta-feira, 17 de junho de 2010

um jazz me lembra
que tudo é só
passageiro

desassossego

busca incessante
prender minutos
no devido lugar
a fim de parar
momentos e cultos
melhor instante

e nem a certeza
que sempre tivera
vir e ir, seria
por hora, aquietaria
o desejo que quisera
arrebentar de grandeza

no peito que dói um tanto
sorriso que enfeita o rosto
carinho que tenho por ela
a espera
por dias
de sonho

quarta-feira, 9 de junho de 2010

valsa do sono

bem de manhã
alçar vôo em plena cama
pilares de um céu nunca desabam
cantar amores que nunca acabam
contar sabores como quem ama
só quando é bem de manhã

terça-feira, 8 de junho de 2010

Só dela

desnublei o céu
me cobre e denuncia
emissões de sol
que a voz não pronuncia
em dias de chuva
existir é mais difícil
só por não sentir
calor.


a todo momento,
quando menos espero,
é você que vejo
dentro dos meus olhos

domingo, 6 de junho de 2010

IV

e já não paro de falar
mesmo que só sussurros
batuco notas nas paredes
musico versos e verões
ou grito alto dentro do carro
quando ninguém me ouve
pra não sentir só
sem um sotaque
quietude perfeita
e imensa em mim

é que não te sentir é insuportável
mas
o que eu não aguento é o silêncio

aquele que você deixa quando sai



em todos
os
meus sentidos...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

retoque

no encontrado sopro
um calado vento
dois sentados corpos
um teto sereno
calmaria dos mares
acalmaria a boca
sentido meu norte
ponteiros virados
em cordas musicais
olhos calados
blues sentirei
soul escutei
o jazz que farei
de hoje em diante
quebra o passado
em estilhaços de mim
recolhi e montei
em moldura distante
um mosaico enfim
Não
ele não tem fim
sua parte em mim
e aquele frio na barriga que não some

terça-feira, 1 de junho de 2010

Nau do meio caminho

invade caminhos
abrindo espaço
nudez e entrelaço
partem cristais
e taças delicadas
invasão de estradas
batendo na porta
do meu pensamento
morada dos olhos
chão do falar
descanso da alma
uma cama torta
acalento e calma