terça-feira, 27 de dezembro de 2011

tempos

Fato é que já havia cansado de dançar e queria vê-la sozinha, como um voyeur, e eu sabia o quão bonita seria sua dança, mesmo que não fosse pra mim, pouco importava naquele instante onde tudo eramos nós dois. E ela dançava. Eu por outro lado observava aquele segundo de vestidos esvoaçantes e um terror absurdo no peito, senti-me criança a fazer traquinagem com medo de ser pego, medo da surra que sei que levaria. Nada daquilo parecia correto, tudo aquilo tinha a verdadeira significação do maravilhamento. Havia algo de errado, eu sabia, eu temia. A concha que me levava até o mar, não muito longe, tocou seus dedos. De onde será que surgiu aquilo? A ansiedade pelo que viria (ou eu esperava que viesse) borbulhava no estomago junto com energéticos e algumas cervejas muito bem divididas. Ela não se atreveria, no íntimo eu gritava: “solta isso, menina!”, mas esqueci de dizer que meu íntimo é um desdobramento cruel de minha consciência, esta que relutava em aceitar o que meus olhos viam, esta que sabia o que estava por vir e previa o desastre entre quatro paredes e duas caixas toráxicas; Um movimento de mão foi suficiente (bobagem, ela já me encantava antes… mas sou poeta, tento tornar lírico pequenos momentos em mim, pra mim.), o toque no seu ouvido era pra ser meu, mas o búzio roubou meu lugar, minha tranquilidade se foi com o barulho de mar que ecoa em nós dois, búzio e homem. Era pra ser magnífica esta confissão, mas a criança traquina tiresiana nunca erra, e a surra se extende por metros e metros de couro, tanto quantos eu pudesse tatuar pra misturar na pele cor e dor. O que uns chamam de tristeza vejo como alento, graças a Deus que Heráclito foi bom comigo, enviou ao invés de um rio, o mar inteiro.

Não tenho âncora,

Não tenho vela pra guiar qualquer barco;

Nem sei se norte é norte.

Desamarro as cordas à favor da sorte.



“Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.”

V.M.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

batuque pra ela viver melhor

meu pescoço tá numa saudade bandida

do seu cheiro

sorrateiro

de manhã

...

do samba

derradeiro

do amor sem paradeiro

que dancei por toda vida.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

trinca

isto não é
verdade.
no firmamento despartido
chovem finas
gotas
de caimento descoberto,
Este que olho, fixo,
fixamente olho e não desgrudo
de mim
não é um espelho
nem caco
perde-se a translucidez
cheia de falhas
dessimetrias
de meu rosto,
ele no meu rosto
se rega da chuva
se nega;
verdade
não é isto
de ver perfeitamente
vaidade
não é isto
descaber em si mesmo
sem espelhos
se partículas do meu reflexo
ainda brilham

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

já não faço poema.

onde guardar
a saudade
que não se sabe
como nasceu
do que se alimenta
e nunca
nunca
nunca se ausenta.
saudades da época
que saudade era só

vontade de tomar chá na casa grande que minha vó morava.

que saudade não
matava
ou aumentava,
inominada.

sábado, 17 de dezembro de 2011

acamado

a fresta que a luz corta na fineza insólita
a minha janela
em mim
traça caminhos no limite do quarto
caminhos de limite
sem revolta
sem cuidado
destrincando magia de candeeiro
aluarado em vereda florida
onde me perco
sem saída

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

...

Boa viagem.

Little joy

ela vai
e ela gira
só gira na velocidade do meu pensamento
gira
e eu giro
teus cabelos
giro
singular perfume
giro
girassol
sol e giro
brilho intenso de uma manhã bonita
como seu sorriso
e sem nenhum aviso
giram bocas
manhã de céu
azul e bocas
eu
ainda
giro
em tua ciranda
e te olho
de rabo de olho

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

laço

e no teu colo
deitarei
pelo sentido
pela potência
do nome que carrego
e do seu sangue
que em mim corre
fazendo voar
ninho adentro
vida afora

toque

"Apenas a matéria vida era tão fina"



ainda sinto os carinhos que não me tocaram
da flor, pequenina,
segura tuas pétalas
passa o tempo e elas caem pra renascer
e se o mar me falta
pra falar da vida,
me sobrem despetalares,
só assim
viverei
num mar de rosas.

"Existirmos: a que será que se destina?"



de todo o tino
desisto
despeço
de mão levantada em cais
desporto
destino.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

seixo

a pedra dessorria em minha direção
minhas inventaduras
a tinham
endurecido para a vida.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

sorrisadeira

segredos e metáforas de alecrins
enquanto cospes da boca
crisântemos
em tons de lábios lilás.
margaridáceas e violetas
enbouquesam, desjardinam,
transraízam
meu sentimento;
o porto em mim desatraca
só nas ondas sou inteiro,
teu vestido florido, tua alma campestre,
poderias viver do meu sal?
supriria, eu, tuas legiões
e multidões
de flores ribeirinhas perfumadas?
suportaria meu bater insistente
de ininterrupta liquidez
em teus pés?

domingo, 4 de dezembro de 2011

Rosa dos Ventos

no teu quase silêncio
emudeço.
ofereço
a concha carregada de mar
tão transbordante de ecos
internas vozes
caladas pela areia que as cobre
soltadas pelo ouvido que recosta
na casca duramente feita pra esconder
uma vida.

imenso é o mar
imenso é amar,
o resto em mim
é respeito
muito sem jeito
caminhando em areia fofa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

completude

salva
tudo o que conseguir
e se mesmo assim
eu me sentir metade
ou dois terços
deixa
já não há o que salvar
pega tudo o que não presta
e o que resta
atira com vontade pela janela
bem aqui do alto
onde não existo
de onde não resisto ao salto
e o voo seja pleno
inteiro

http://www.youtube.com/watch?v=XerlSEj_D7Y

apontamento

Como o bonde que deu um tranco na cintura da mãe de família, e de repente a incompetência pra viver assusta-a, sinto-me o cego que masca chicletes displicentemente na relação de si consigo mesmo, sem saber olhar pra fora, sem poder libertar-se da condição eterna de mascador, condição eterna dionisíaca, o Sol não faz mais tanta diferença, estou no meu jardim agora.

Meu tranco tem nome. Muito mais forte que uma montanha, atrapalha o andamento do meu bonde, uma vez retilíneo, no qual tive tanto medo de pular em movimento e abraçar o incerto perdido no meio de uma indefinição não só espacial, mas temporal. Sinto-me realmente convidado ao não envelhecimento, abandonei as razões, esqueci, na verdade, meus motivos, dói como afogamento, silencioso e sufocante em meio as bolhas tão bonitas, adornadoras de um auto-assassinato quase flutuante. E não me entenda mal, amor, eu amo te amar. Afogo-me cheio de prazer nesse mar imenso que, de certa forma, enchemos juntos na fronteira de tudo que construímos. Desastroso é ver que o mar ainda nos separa, nos abisma, nos difere.

Nunca em minha vida pensei escrever tão diretamente pra ti, mas ultimamente tem doído tanto sua falta que fica impossível ser indiferente, tentei ser indiferente a tudo isso uma vez. Me custou a paz e tantos outros floreios internos. Flutue comigo, “há sempre um lado que pesa e outro lado que flutua”. Há sempre dentro de mim a esperança de poder te amar inteiramente, do nosso jeito, e poder deitar naquele sofá buarquiano no calor do mundo todo a desfrutar de uma cervejinha gelada seguida de muitos beijos.

Tantos beijos quanto puder te dar.

Sei que tudo nosso é liberto e cheio de curiosidade do mundo inteiro, mas meu coração é seu.


(acho que mesmo sem saber lidar, ainda sei falar de amor)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Saída

trinca na pele o frio
(até ele morre de medo
de fugir de pele em pele)
vem se arrepiar em mim
em meus poros
tão meus poros
(eu que morro de medo
e só morro de medo)
ultimamente a vaidade impera,
ela e seus casacos
bem quentinhos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

alento

Vem andorinha,
pousa teu descanso em mim,
repousa,
e te mostro
meu ninho, meu verão
enquanto dura a estação;
enquanto duro.

domingo, 20 de novembro de 2011

veredas

e a vontade imensa
incontrolável
de sumir daqui, mudar de vida, passar aperto onde ninguém veja e mesmo assim sentir as rédeas em minhas mãos... hoje é sem poesia, sem estrutura, de qualquer forma ou sem forma. o que tem de ser dito não precisa de poesia, muito menos de mim.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

sereno

minunciosamente espalho sobre a mesa
não mais canetas
tão pouco papéis
te guardo em mim
por medo
da desordem
que há
dentro
fora
em minha volta.
deixo que passem
os minutos
que passem encabrestados para longe
fora,
lá fora haveria de ser sereno
o que cai em harmonia
com a queda,
mas não enxergo,
dentro
transpareço
serenamente
como quem cai do céu
pra ver de perto
o chão

sábado, 12 de novembro de 2011

acaso

Hoje o amor fugiu de mim
amor maltratado
prometido
por vezes tão escondido
as vezes tão encontrado
por páginas,
lápis
adesivos e bombons
embalagens e camisetas cheias de cheiro
de perfume.
apolíneo trajeto de escape
rasgou verticalmente
o horizonte
já não há no céu meu descanso
repouso nas pedras que pisei
com o mais puro e impensado
descaso

domingo, 6 de novembro de 2011

brisadez

vem,
vem no desalinho
de um tropeço
sinuoso
de ladeira

e se joga
no meu mundo

percebe,
descabem aqui
infinitudes
tudo
tudo
tudo termina

só pelo prazer do recomeço.

sábado, 5 de novembro de 2011

por um dia, qualquer tarde

Eternesço inimportâncias
na esperança de captar
em qualquer outro canto
a dobragem umbigal do mar
se engolindo
desgalfinhando
o estilhaçar de grãos
que a areia não lembra
ter perdido
no tempo

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

que seja

que todo minuto
que qualquer vento
tropeço desastrado
beijo roubado
falta de luz
grito rouco desistente
abraço pouco resistente
carinho
cobertor de retalho
que tudo que se quer
e pode querer ter
ser
aprender ou distrair
(mesmo que dê briga,
sempre dá,
me distraio facilmente)
tudo que queiras
jardins
flores do nosso quintal
quadros
chão e esteiras

que tudo seja nosso

e que falte sempre a luz
pra que sobre noite

me distraio sempre
e vou sempre distrair
nos seus detalhes.



http://www.youtube.com/watch?v=z9lrVZdaluk - pra ouvir do seu lado.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sempre

repousa em meu peito
descansa direito
e acostuma

não há outro jeito
acalanto de dois
de nós dois
pra nós dois

do teu conforto
quero
única
e exclusivamente
a eternidade.

repousa em meu peito
teu sono é meu jeito
de falar de amor.



http://www.youtube.com/watch?v=IlPu7WkaWW4&feature=player_embedded - para ouvir.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

desabandono

Arrepia até a alma.
gerações de pensamentos
borbulhantes, relembrados,
grita em mim Frost e sua maldição
de tantas e tantas milhas por prosseguir,
por intuir
o caminho que me leva até sua cama;
passos instintivos
fugitivos, só quem ama
arrepia mais fundo que a alma,
mas tudo em mim transparece
calma
nada em mim
silencia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

madrugada

Escuto o som do ar cortando tudo
seguro em ti mais forte
pra não voar bem longe


quando tudo em mim
é medo
guardo tudo num segredo:
não resisto ao teu sorrir.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

nossos

pra que todo dia fosse bom

sem que houvesse qualquer resquício

de esquecimento

pra que tudo fosse chá e banhos

e em mim houvesse esperança

de teus cabelos no lençol

tuas tintas

cintas...meias bagunçadas,

pois só quando tropeço em suas roupas

sei que já não sinto frio.

perder o juízo

te beijar sem aviso. te querer,

e que me queira de volta

como se quer que o tempo volte

que já não passe

nunca mais passe

o corpo, um precipício

tudo em princípio

sem qualquer final.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

teus

e o sorriso, displicente
conformado com a vida
se perdoa por não querer levantar da cama
sem perceber que já se mostra
sonhando
tão sonhado.

domingo, 16 de outubro de 2011

tratado geral das grandezas do íntimo

meu grito é baixo
pra te pegar de surpresa
empurrar pelo sofá
em cima da mesa
arrancar sua roupa
sem desvidrar do pescoço
pra pedir perdão com o corpo
quando a boca já não sabe o que dizer…
te mostrar da cama
o céu que fiz
de recorte e cuidado
brilhando fraco no canto do quarto
enquanto dorme sem preocupação
Amor seja deus ou Deus seja amor,
tanto faz
nada é pra mim tão delicado
tão inacabado…

sábado, 8 de outubro de 2011

diferente

sujo as mãos de terra no esticar de braços que nada encontram.

harmonia

perfeita

entre solidão e solidez fazem mais forte

todo que busca

tudo o que se acha.

já não procuro em ti meu melhor motivo,

enquanto tudo é um esticar de braços ao encontro de pura terra

ainda estarei vivo

contentado na umidade do que foi chuva

(ainda me molho).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

dança

e não me cante aquele tango
que quer que qualquer coisa
me cale
não se abale
te pego no passo
e ensino a dançar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

adeus

bebi do seu feitiço
arrastei o mundo com a mão
provei o sabor, frio,
descobri que o peito cansa

e de repente
meu coração
ah! meu coração,
mesmo sozinho
agora dança.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

le temps destruit tout

tudo são ecos

nada novo.

gritos do passado revividos por minha acústica saudosista,

um chá

pra esquecer
os dias de trás
e ainda espero demais.

tremo as mãos como quem não aguenta

esperar o futuro acontecer

como quem não aguenta

lembrar

ainda presente em mim,
meu relógio não quer se entender

e viver

de ponteiros.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

le navire

o descompasso de quem corre n'água

pra libertar o barco,

errantes,

despreocupados com o que virá
ou veio antes

não é meu.

sou o que olha vez após vez

a soltura da natureza incontrolável da embarcação que insiste em correr

sem olhar pra trás,

mesmo quando tudo em mim
quer ancorar contra as ondas,

passo,

meu olhar acompanha o barco
e a nuvem me distrai
nas velas que costurei

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

promessa

eu tropecei na esquina
quase fim do caminho,
sei que meus passos guiaram
por onde o coração pensou saber
e saber bem o que queria,
mas porque então tropecei
com medo de pisar
em caminhos que não me levariam
a você?

toda esquina assusta,
mas se eu tiver de atravessar
quero estar sorrindo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

cartas transviadas

sou pandeiro liso e esticado
que apanha pra chorar
na roda
alegrando quem ouve
com gemido e sacolejo
na sintonia do sorriso
que só eu não sorri.
e quando me guardam novamente
nas areias da praia
sujo
acendo meu pavio curto
e subo pro céu como um rojão
cheio de barulho
pra estourar na escuridão
e por lá ficar
na roda
alegrando quem vê
com velocidade e desprendimento
pirotecnia do meu ser
que só eu não soube
ser.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

any messenger

carrega a dureza do chão sob os pés

nem brisa

abala

ou alisa

vento que te erra temeroso.

o difícil acesso

da história em teus olhos

labirintuosos

pouco dizem

distantemente fronteiriços

estrangeiros de tudo

intocáveis.

seus genes me doem,

deslocam do teu espelho

vidromorfiso traços que me queimam na semelhança,

gêmea indiferença,

ainda quando tudo,

tudo em mim sustenta,

tua presença,

até quando não aguento,

não sou nós dois

sem ser eu.

tão preciso, insisto na eternidade.
(pai).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

domingo

caricia mansa
nunca cansa
enovela burburinhos noturnos
e tece roupa de aconchego em dia frio.
lã que só firma no couro disposto
a doar alma e coração
em troca de um pouco de calor humano
nos dias de verão,
mesmo contra todo gosto
até quando arde o rosto
de vontade de um beijo,
mesmo aquele de raspão,
dispara furioso o peito suplicante,
o balanço de rede supera
qualquer futuro glorioso.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

pillow talk

deixo o céu entrar
não pelo teto
sem sentir contato,
sim pela vida.

sonhar todo dia
chaleira e assobio
na mesa já posta e mexida
fria
do almoco que eu mesmo fiz
te alimentar
satisfazer
fazer em ti um filho num sorriso matinal
e sorrir de novo ao nosso anoitecer
o gosto de teu beijo leve
solto tão breve
grudado em mim
feito o cheiro bom
do perfume
o perfume que não larga meu pescoço

acordar é o nada
escolhi minha vida.
amar é fácil, amor.
amanhã você entende...



Pink FLoyd - A pillow of Winds = http://www.youtube.com/watch?v=sgmleHrkz7Q

sábado, 30 de julho de 2011

saudade

a madrugada ingrata

e revoltosa

reclamante por falta de sol

inquieta os medos

recorda a sombra

d'outros tempos, outro eu

e meus fantasmas

o escuro faz

pouca lembrança

brilhar...


pena nem tudo ser manhã,

nela acordo,

meu despertar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

17:33

é que eu grito sobre o amor
todos os dias
de frio
de vazio
de santo
de tanto... que ele incomoda
por não sair de mim
pra dormir fora, passar a noite,
n'algum colo que me mande
de manhã cedo flores e um café.
não meu, este colo,
algum


"se você ficar sozinho, pega a solidão e dança"

segunda-feira, 18 de julho de 2011

se faltar a paz

A chuva faz
o vento se sentir sozinho
por passar e não ver
que todo seu intento
era alisar um pouquinho
antes da queda.

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Sinto saudade de não saber pensar nas coisas,
saudade, ela não me deixa só um único dia.
tão musical
ela não me deixa só.
"...pega a solidão e dança..."
não me falta paz, não no rosto.
"...se faltar a paz..."

vontade de quebrar o silêncio que se formou por dias em mim mesmo.
o amor que se dá não deve esperar retorno.

talvez seja esse o erro; sempre espero...
como disse uma amiga há um tempo: "o amor não é para amadores."


http://www.youtube.com/watch?v=OpmTTvC41Hg

domingo, 17 de julho de 2011

estrada

falta ao céu aquele brilho
brilho,
brilho,
...
brilho.
(dias)

pisca candeeiro,
pisco eu,

.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Autumn Heart

todo filme que passa,

toda hora que corre

só a doçura me cura

da falta das coisas

que faltam no jardim da porcelana

pintada em minha parede

em minha pele.

todo dia que foge,

tudo em mim que engole

em seco

os caminhos que meus pés seguiram.

equivoco nos passos e nos olhares

a natureza das coisas gorjeia em mim palavras e sotaques,

são suas as asas que batem no céu,

não de pássaros,

tão minhas.

já nem reparo

eu que tanto já quis,

como só eu quis,

ser seu, amor.

terça-feira, 21 de junho de 2011

chuva de verão

dançam as teclas de um piano
molhando o ar com sua música,
de chuva, enchente, transbordos,
aqueles de lá de dentro de mim
eles que o mundo não conhece.

passo dias a pensar em sentidos
sinto dias pensando em passado
alguns brilhos distraem, nada completa
e só no amor recaio.
bate forte na barreira da percepção
(sim, ela possui uma barreira e não é à toa)
pesadas gotas de realidade
mostrada e escondida,
vale tão menos que a inventada,
mesmo quando a outra desponta
feito o sol que quase cega
no pimeiro raio do dia.

Ah! eu passo dias a sonhar
já que o sentir só me confunde
com outros nomes, já nem ensaio
pensar em meios, eu só recaio
sobre o amor, sempre me cerca
até quando não tento
mergulho
e nado nas gotas de chuva
todas em queda
mas que só remetem ao alto
lá onde o céu deixa de ser literal
onde eu posso ser amor.

domingo, 19 de junho de 2011

sobre tambores e terra

quebra céu no buxo
estufado de tanta vontade.
grita alto, ribomba retorqui
sobre tambores e terra
treme o mundo sem o toque
do amor que já não sentia
liquefeito na chuva grossa
nem da nuvem ele veria
esconderijo pra toda dor
onde sentido ele ficou
sentado molhado de amor
que pinga do buxo do céu
extasiado de tanta saudade
do tempo que não volta mais
e as gotas que não matam sede
tao cheias de barulho
tao vazias no silencio.
Ou era só uma chuva?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

smooth waltz

retumba o céu que há dentro de mim
não chove.
minha terra, seca, retorque
e racha na espera de sempre
molhar sem motivo
quiçá mar altivo
decorar meu mundo
com praias e valsas


teu nome na concha,
chuvisca oceano,
eco e meu sorrir.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

brisa

brinco solto vestido de vento
enquanto aliso
tua pele só repousa
e eu aliso
teus poros que já foram meus.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

wind chimes

pela última vez
passa o sol pela janela
tão grande e digna de lembrar
tão capaz de mostrar e esconder
enquanto me apago
um tanto de apego
às coisas de ver.
corre o dia que esquiva
do meu corpo.
pela última vez me sento
não acompanho tanto movimento
tão comum às coisas no jardim
que a janela mostra, tão cansada
de dentro dela,
tudo em mim.

domingo, 8 de maio de 2011

o silêncio é luxo

Tremem pesadas as arestas de mim
mesmo eu, que sempre fui aluado
percebi que nunca fui assim
de amar baixinho, este amor calado
mas que ainda
é
amor.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

chama

por um fio
estilhaços de cacos
de gente
que queimam
um curto pavio

fogo de vela

bem

respinga tinta
a chuva fina
aproxima
tão alto
ou esquina
desdobra
respingo vez
danço baixo
canto da sala
que falo devagar
e suave
canto breve
e talvez
no fino jazz
a alta chuva
caia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

sal

três passos pra trás
abismo e firmamento
continentais lacunas
estonteantes colunas
oblíqüas
longínqüas
na borda do mar as espumas
particularidades
dos grãos
de areia

quarta-feira, 6 de abril de 2011

rasura

sou o pé que desvia
da pedra certa em caminho torto
e tropeça
por olhar pra trás

sertão

rebate o sol
no couro que retrai
instintivo e reclamante
só por não ser
seu
o calor

segunda-feira, 4 de abril de 2011

pisar

"A vida é sonho"
Waly Salomão



do passo incerto
pouco sei
pedra por queda
destropeço contra meu jeito
equilibro em minha natureza
sempre esbarrante
desastrada

pé ante pé
desistida estrada
some à vista
do horizonte passado
o hoje é ponto
intercessivo
arrasador
acalmador
e delirante

terça-feira, 29 de março de 2011

beira

enquanto adormecem os dedos
esticados
em avanço
absolutamente prontos pro toque
certeiro
depois que adormeço os toques
tão sonhados
no alcanço
absolutamente prontos pra os dedos
absortos
candeeiro
que pisca mas não apaga
brilhe
qualquer faísca
que o vento traga.






http://www.youtube.com/watch?v=drTe0lkSemo&playnext=1&list=PL73E0B243689522BF

quinta-feira, 24 de março de 2011

tempestade

o ricochete
é só a chuva
e a janela
em plena sintonia




Um chá, foi tudo que eu fiz esta noite, todo o resto era jazz e a descompostura dos tragos de vinho de mais cedo. a sala, que já foi maior, ainda corta minha vista da janela imensa, esta continua tão grande quanto eu poderia me lembrar, e lá fora é de um cinza escuro tão intenso, tão opaco, tão gigante quanto a coluna de nuvens pesadas e encaixotadas no céu poderiam estar, e estão. O jazz me dá nos nervos, eu queria mesmo era um Tango pra colar naquele corpo suado, embriagado, suado e embriagado e entregue, bem parecido com o Jazz ou com o Tango, talvez tudo isso seja um Samba. Tropeço pela sala pra sentir o vento que assobia forte nas frestas do alumínio, eu também tenho minhas frestas, espaços vazios, o vento me lembra deles e só me resta aumentar o som, ser como a janela que apanha da chuva e ainda assim é transparente e sólida. E tudo é chuva e uma música que nem mais sei definir, o chá ficou perdido lá pela mesa, agora quase no horizonte de minha visão, ou será que fui eu quem chegou no horizonte de minha percepção deixando tudo pra trás, já não faz diferença. Amarga um pouco esse gosto de chá na boca que bebeu vinho, a sobriedade dói pra chegar, um sorriso dói pra despontar, a lembrança é impossível de sair, mariposa que bate contra a lâmpada incessantemente, entre choques e brilhos, estalos e saudade, estalos de saudade. Tanta saudade.



a batida
é só coração
e sonho
na veia.

quarta-feira, 9 de março de 2011

borda leste

passa o rio que só passa
carregado de saudade
e barulho
passo eu que só esparso
acalmo em um só
mergulho

terça-feira, 8 de março de 2011

quero ver o céu cair
em trovoada batida ao chão
arranca pedaços de horizonte
varal estendido azul
subindo em cor, som nascente
pensamento meu e sol poente
entre tambor que grita seu nome
no ritmo maracatu
e explosão na superfície e alfaia
pra levar notícia do amor
que nasce na beira da praia
e carrega o mundo pro seu lado
ouvindo frevo lá no planalto
sugere lembranças
ainda há de levar
pra ver o céu cair
cobertor de sono
nosso e tranqüilo
jardim de flores pequenas e cheirosas
decorando do meu lado
seu trono

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

borbulhas

Bonito mesmo é quando você grita
e eu sei que lá no fundo,
só eu sei,
que o grito é meu
e você sabe que lá na fundo
é só o amor
que não aguenta de saudade
e acorda,
igualzinho ao leite que esquenta
pronto pra te servir
e por pra dormir,
transborda

domingo, 20 de fevereiro de 2011

a melhor lembrança

madrugada entra
vermelha e imensa
entre janelas e incenso
pra me lembrar bem cedo
que todo mundo tem medo
mas eu tenho o seu sorrir.






Close to You - Bebel Gilberto.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

early morning in a strawberry field

É que o amor não morreu, acredite, vejo isso claramente hoje. Suas cortinas brancas ainda flamulam entre mim e o ofurô tão delicado pendurado na janela. Você ainda dorme com os cabelos bagunçados, vermelhos e bagunçados, tão convidativos e cheirosos quanto eu sempre imaginei que seriam. Os pequenos riscos de sua pele que misturaram com as cores da minha, cores que com certeza são mais cores quando se misturam com você, seus pequenos riscos ainda gravados em minha boca, repito suas frases e seus detalhes, não por medo de esquecer, impossível, mas repito baixinho só pra te sentir de meu lado. É, ainda te sinto de meu lado, e por mais que eu não entenda minha partida, eu entendo a falta que você me faz. Sim, eu brinco com as palavras pra te ver sorrir, e nessa brincadeira eu acabei descobrindo que gosto mais de te ver sorrir que de brincar com as palavras. Sei que parece caótico o mundo que vivemos, mas lembra que em breve chega a hora de criar nosso mundo, meu e seu. Sabe, poderia ser mais uma carta de amor ridícula, talvez seja afinal, sei que quando fui chorei muito, o taxista que teve um dia duro me chamou de idiota, o chão que teve uma vida dura passou rápido demais por meus pés me levando de perto de você, o dia que teve muitas horas duras passou e quando amanheceu eu estava longe, mas já vem chegando a hora de dias melhores, horas mais brandas e um chão que passe rápido por mim enquanto vôo em sua direção. Sabe, pequenininha, a vida é boa e vai ser melhor ainda. Sorria, em breve sorriremos juntos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Crua

flutue comigo
o ar nunca senta
tempo nunca para
eu e você, esquenta
dói e repara
sou dono de mim
senhor da vontade
escrava de sua mão
e toque perfeito
sincronismo circular
só pra dizer ao mundo
queira ele ou não
nasci para amar
e pra morrer
como o ar que nunca para
ou o tempo que não senta
meu eterno querer

flutue comigo


(sim, é pra você)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Retrovisor

arrocho de horas perdidas
num céu tão imenso quanto o céu
que qualquer um poderia imaginar
ou não
plano alto pelo descampado
entre raios e ranhuras
uma pele que é só minha
no meu toque arrepia
e em meio a noite fria
canta melodias
brinca com sentidos
beija a agonia
de não te ter toda madrugada
rebato em ressaca de enseada
ou em lago tranqüilo, Paranoá,
misturo águas que nunca se viram
pra gotejar nosso suor noturno
entre morangos e campos
sua voz doce cheia de detalhes
um pedaço seu em meu caminho
a trilha que eu quero seguir
partiu?
só o peito
é linda de qualquer jeito

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

jardim

lá pelas tantas
meio de noite ou quase nada
bate um sambinha
teu dormir que me desperta
dançando enquanto caminho
me espalho nos teus passos
semi-tons de música certa
movimento com a mão
um samba que me bate
entre quantas e tantas
pudessem ver
teu sorriso de florir
lençóis de cama
e só assim
já não acordo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

faltou ar

pra sentir que é você
já não preciso
saber
se é
real
já não acerto o tom do mundo
são outras as notas,
suas,
que agora toco
ou será
que é você
e sempre será



http://www.youtube.com/watch?v=85Ys1wb_vjo&feature=related

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lounge II

embriaguez de pensamentos gêmeos
entre dois sóis que se anunciam
dois pescoços em repouso
cheiros misturados
porta-retrato segurado
pra gravar na retina
seus poros e parênteses

é que de noite dá vontade
de poder secar meu corpo
em teu suor

sábado, 29 de janeiro de 2011

tuas cores

O amargo da boca se confunde com a madrugada se escondendo atrás de mim, fugindo pelo céu que clareia e trás muitas cores fracas. Desmancho no sofá. Busco no teu sono alguma distração, a mente perturbada custa à aquiescer, finalmente me pego perdido em seus cabelos bagunçados. Se tudo no mundo se resumisse em cabelos bagunçados pela manhã. Passam minutos como uma sentença de vida, esvaindo, trazendo lucidez, perseguindo os espaços vazios e violando lacunas de mim. A vontade de te roubar do mundo e te devolver cheia de pedaços meus, uma colcha de retalhos costurada num céu que só brilha em nossos olhos. É, esse céu que só toma forma quando nos cobre, o resto do mundo inexiste, ignoto. O contraste do amargo com seus doces beijos me tiram a razão por um instante, você ainda dorme, tudo são lembranças do dia que passa em minha frente, lembranças do que ainda vai acontecer quando acordar. Escorrego mais um pouco. Quem sabe não existe mais um amanhã, ou tudo é só aquele vinho que dividi contigo antes dos amores.

http://www.youtube.com/watch?v=3LjnCcj72U0&feature=player_embedded

Lounge

é que me dizem todo dia
entre batidas de relógio
passos por dar em corredor
copo largado na pia
é que dizem sempre pra mim
mentiras sobre medo
pequenos detalhes de você
quem sabe eu guardo
só mais uma noite
nosso segredo
pra eu me perder de vez nas tuas cores
é que eu me digo todo dia
que eu preciso de uma pele
pra me aquecer na noite fria
enquanto correm lá fora
enquanto passam aqui dentro
fogem das mãos a hora
e quanto mais eu entro
nos lençóis que são nossos
menos sinto falta
de qualquer outra
qualquer outro sonho
de qualquer outra
qualquer outro dia
é que só na tua pele
me entrelaço, acredite,
enquanto o mundo para
sei que aqueceria
minha vida.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dreamcatcher

enquanto o mundo dorme
uma dança se arma
como quem cala
no silêncio e respeito
o violino sem jeito
desce escada sinuosa
em calor do corpo dela
toques de pele e sonhar
com sorriso de acolher
o beijo de recolher
enquanto o mundo dorme
e nenhuma musica cala
doçura e enfeite
no silêncio do peito
tudo seu tem meu jeito
roda a saia vaporosa
rasgo panos e medos
seguro o sol que vai subir
enquanto o mundo acorda
te deitar na cama
e te ver dormir

domingo, 23 de janeiro de 2011

Panapaná

a sensação de estar sempre esperando por algo
a condição de estar sempre esperando por algo
a imposição de estar sempre esperando
diviníssimos toques
passageiros toques
estradeiros toques
a sensação de estar sempre repetindo por algo
acho que é sempre aquela falta
que faz repetir mil vezes
mil frases
mil manhãs
na esperança de estar sempre esperando por algo
que chegue, fique e se repita
em mil frases
mil vezes
todas as manhãs
a vontade de estar sempre esperando

.

aqui em revoada, panapaná em meu estômago.


vai chegar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

nero

de longe passa
pesada, consciente
a tempestade
embranquece o céu
cansado de nublar
e amanhecer
aqui do alto, milhas
e mais milhas
distraem
deitada em sonho
flutua de leve
o acordar
e incendeio veloz
por prazer
o horizonte
já em meio caminho
incandescente o universo
de deitar
nas dobras desfeitas
fugindo da chama
seu olhar
queimando baixinho
se põe em lençóis
de nossa cama

aconchego

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

.

"Aquele cheiro, som, imagem do teu corpo incendeia
E um rio carregado de saudade vem correr na minha veia
Na veia, amor, na veia"



vontade imensa de tocar fogo no céu
só pra te ver sorrir
pra me ver te ver
e depois dormir
do seu lado



"É como a luz da lua que atravessa a parede da cadeia
Clareia mais forte que o sol"

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Gold in the Air of Summer

Janela entreaberta e meu radinho de pilha que não para de tocar baixinho, me movimento na cama buscando a posição ideal, na cabeceira pousa um óculos antigo, um copo meio bebido, um livro meio lido. Observo por um instante, entre tantos meios eu não sei por uma fração de segundo onde me encaixo, acabo por me aconchegar na cama, meio desconcertado de mim, mas ainda assim me dou algum conforto. Guardo a mania de deitar só em uma metade da cama, sei que durmo só, inventei desculpas para justificar a solidão ouvindo Miles Davis a noite toda, a vida toda, até que deito finalmente convencido de uma razão minha que custou à entrar em minha cabeça, minha voz não inspira mais a mesma confiança que antigamente, demoro à me render pra mim, deito só. No fim das contas, sendo mais justo com a cronologia das coisas diria que seria no meio da noite, mas de qualquer forma, no fim das contas eu ainda sonho. Talvez eu precisasse de mais desculpas pra justificar meus sonhos, aquele sobre ela, uma casa pequena e simples, gostosa de viver e ser alguém de bem, criar um cachorro, juntar uns amigos, cozinhar no domingo e poder sorrir pra o mundo de uma varanda que divido com os chinelos dela que repousam perto da mureta. É, eu poderia pensar em motivos e sentidos. Sentidos estes que fogem dos dedos e caem diretamente naquele forninho à lenha, pulam do peito e aterrissam na cama de chão que ela decorou de rabiscos e fotos, voam das pupilas e tocam uma face inexplicável, quase impossível. Nem acordar é suficiente. Afinal, não durmo só. Sou sempre eu e meus motivos, tenham nomes ou não, Ela tem nome.

domingo, 16 de janeiro de 2011

.

Só quando desço a ladeira tropeçante de mim mesmo e percebendo pequenos detalhes que a mente só capta quando está tão longe, tão longe quanto poderia estar, é que já não sei se é a noite que já passa de sua metade ou se sou metade de mim que passo pelo meio da noite enquanto a outra dorme nalguma cama sem carinho. Um cigarro cairia bem. Pena que não fumo... nunca mais.

sábado, 15 de janeiro de 2011

nascedouro

hei de acreditar
mesmo que acordado
desnublado céu de março
lá no porto ancorado
ficam sonhos e desejos

vez em quando partem
quando em vez ficam


dentro de mim

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ecoar

olhos de ninguém
espreitam à janela,
enquanto é noite,
o nascer do sol
no pé da cama
entre o teto
vespertino
e carinho
peregrino
estreiteza de dobras
e travesseiros no horizonte
lá onde tudo
não faz diferença.
além da borda
aquém de traços
felicidade inventada
sorriso arrancado
e pintado no céu
silhueta e janela,
e a voz de alguém
não sai de mim


http://www.youtube.com/watch?v=3fpKncoeF3g&feature=related

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

un sogno

a noite lá fora
dispersa em estrelas e flores
caracóis
brinca de esconde nos cantos
do quintal e do jardim
escondendo o resto do mundo
no que seria um vazio profundo
que nunca existiu em mim,
só lá fora, quando é noite
e ela brinca

mundo de cama e peitoril florido
margaridas brancas
cortina verde claro
um sono que não acaba mais
sambinha, sambado,
dormido




http://www.youtube.com/watch?v=aA0sbMMFDQg

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

alto da sé

"E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais!
Deixa o verão pra mais tarde..."



porque é realmente melhor ser alegre que ser triste...


toda janela ampla
todo sofá descansado
quintal de batuque
forno e fogão
cachorro e passeio
parque e silêncio
e o banho bem tomado
o cheiro sentido
o cinto largado
passado perdido
futuro pensado
corredor estreitinho
porque andar junto é melhor que separado
poesia escrita debaixo do sol
contada baixinho no lençol

naquele jardim pequeno e simples onde há de sentar um amigo meio bêbado sorrindo da vida e tocando um violão

ser feliz é pouco, quero teu sorriso toda manhã...

domingo, 9 de janeiro de 2011

un, deux.

composição de valsa mansa
dançando pelas horas da manhã
furtivo olhar
contido toque
vê-la dançar por entre espaços do dormir
batidas fracas de ponteiro de relógio
toques de pele que o lençol alcança

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

aquela música me lembra você

Seguir com os olhos pequenos detalhes de uma tarde tão quente, tão quente, tão quente. Assusta qualquer gota tocando a face, gotas de água e pensamento distante...



"should we go outside?" - ela diz
"are y'interested?" - eu coro...

the difference between the sprout and the bean is so simple and kind...

You're so sweet, we should not shine a light on, I wanna see your face in the natural morning light... - I said

She blushes...

mais Amor
por favor.




Mais doçura...