segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lounge II

embriaguez de pensamentos gêmeos
entre dois sóis que se anunciam
dois pescoços em repouso
cheiros misturados
porta-retrato segurado
pra gravar na retina
seus poros e parênteses

é que de noite dá vontade
de poder secar meu corpo
em teu suor

sábado, 29 de janeiro de 2011

tuas cores

O amargo da boca se confunde com a madrugada se escondendo atrás de mim, fugindo pelo céu que clareia e trás muitas cores fracas. Desmancho no sofá. Busco no teu sono alguma distração, a mente perturbada custa à aquiescer, finalmente me pego perdido em seus cabelos bagunçados. Se tudo no mundo se resumisse em cabelos bagunçados pela manhã. Passam minutos como uma sentença de vida, esvaindo, trazendo lucidez, perseguindo os espaços vazios e violando lacunas de mim. A vontade de te roubar do mundo e te devolver cheia de pedaços meus, uma colcha de retalhos costurada num céu que só brilha em nossos olhos. É, esse céu que só toma forma quando nos cobre, o resto do mundo inexiste, ignoto. O contraste do amargo com seus doces beijos me tiram a razão por um instante, você ainda dorme, tudo são lembranças do dia que passa em minha frente, lembranças do que ainda vai acontecer quando acordar. Escorrego mais um pouco. Quem sabe não existe mais um amanhã, ou tudo é só aquele vinho que dividi contigo antes dos amores.

http://www.youtube.com/watch?v=3LjnCcj72U0&feature=player_embedded

Lounge

é que me dizem todo dia
entre batidas de relógio
passos por dar em corredor
copo largado na pia
é que dizem sempre pra mim
mentiras sobre medo
pequenos detalhes de você
quem sabe eu guardo
só mais uma noite
nosso segredo
pra eu me perder de vez nas tuas cores
é que eu me digo todo dia
que eu preciso de uma pele
pra me aquecer na noite fria
enquanto correm lá fora
enquanto passam aqui dentro
fogem das mãos a hora
e quanto mais eu entro
nos lençóis que são nossos
menos sinto falta
de qualquer outra
qualquer outro sonho
de qualquer outra
qualquer outro dia
é que só na tua pele
me entrelaço, acredite,
enquanto o mundo para
sei que aqueceria
minha vida.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dreamcatcher

enquanto o mundo dorme
uma dança se arma
como quem cala
no silêncio e respeito
o violino sem jeito
desce escada sinuosa
em calor do corpo dela
toques de pele e sonhar
com sorriso de acolher
o beijo de recolher
enquanto o mundo dorme
e nenhuma musica cala
doçura e enfeite
no silêncio do peito
tudo seu tem meu jeito
roda a saia vaporosa
rasgo panos e medos
seguro o sol que vai subir
enquanto o mundo acorda
te deitar na cama
e te ver dormir

domingo, 23 de janeiro de 2011

Panapaná

a sensação de estar sempre esperando por algo
a condição de estar sempre esperando por algo
a imposição de estar sempre esperando
diviníssimos toques
passageiros toques
estradeiros toques
a sensação de estar sempre repetindo por algo
acho que é sempre aquela falta
que faz repetir mil vezes
mil frases
mil manhãs
na esperança de estar sempre esperando por algo
que chegue, fique e se repita
em mil frases
mil vezes
todas as manhãs
a vontade de estar sempre esperando

.

aqui em revoada, panapaná em meu estômago.


vai chegar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

nero

de longe passa
pesada, consciente
a tempestade
embranquece o céu
cansado de nublar
e amanhecer
aqui do alto, milhas
e mais milhas
distraem
deitada em sonho
flutua de leve
o acordar
e incendeio veloz
por prazer
o horizonte
já em meio caminho
incandescente o universo
de deitar
nas dobras desfeitas
fugindo da chama
seu olhar
queimando baixinho
se põe em lençóis
de nossa cama

aconchego

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

.

"Aquele cheiro, som, imagem do teu corpo incendeia
E um rio carregado de saudade vem correr na minha veia
Na veia, amor, na veia"



vontade imensa de tocar fogo no céu
só pra te ver sorrir
pra me ver te ver
e depois dormir
do seu lado



"É como a luz da lua que atravessa a parede da cadeia
Clareia mais forte que o sol"

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Gold in the Air of Summer

Janela entreaberta e meu radinho de pilha que não para de tocar baixinho, me movimento na cama buscando a posição ideal, na cabeceira pousa um óculos antigo, um copo meio bebido, um livro meio lido. Observo por um instante, entre tantos meios eu não sei por uma fração de segundo onde me encaixo, acabo por me aconchegar na cama, meio desconcertado de mim, mas ainda assim me dou algum conforto. Guardo a mania de deitar só em uma metade da cama, sei que durmo só, inventei desculpas para justificar a solidão ouvindo Miles Davis a noite toda, a vida toda, até que deito finalmente convencido de uma razão minha que custou à entrar em minha cabeça, minha voz não inspira mais a mesma confiança que antigamente, demoro à me render pra mim, deito só. No fim das contas, sendo mais justo com a cronologia das coisas diria que seria no meio da noite, mas de qualquer forma, no fim das contas eu ainda sonho. Talvez eu precisasse de mais desculpas pra justificar meus sonhos, aquele sobre ela, uma casa pequena e simples, gostosa de viver e ser alguém de bem, criar um cachorro, juntar uns amigos, cozinhar no domingo e poder sorrir pra o mundo de uma varanda que divido com os chinelos dela que repousam perto da mureta. É, eu poderia pensar em motivos e sentidos. Sentidos estes que fogem dos dedos e caem diretamente naquele forninho à lenha, pulam do peito e aterrissam na cama de chão que ela decorou de rabiscos e fotos, voam das pupilas e tocam uma face inexplicável, quase impossível. Nem acordar é suficiente. Afinal, não durmo só. Sou sempre eu e meus motivos, tenham nomes ou não, Ela tem nome.

domingo, 16 de janeiro de 2011

.

Só quando desço a ladeira tropeçante de mim mesmo e percebendo pequenos detalhes que a mente só capta quando está tão longe, tão longe quanto poderia estar, é que já não sei se é a noite que já passa de sua metade ou se sou metade de mim que passo pelo meio da noite enquanto a outra dorme nalguma cama sem carinho. Um cigarro cairia bem. Pena que não fumo... nunca mais.

sábado, 15 de janeiro de 2011

nascedouro

hei de acreditar
mesmo que acordado
desnublado céu de março
lá no porto ancorado
ficam sonhos e desejos

vez em quando partem
quando em vez ficam


dentro de mim

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ecoar

olhos de ninguém
espreitam à janela,
enquanto é noite,
o nascer do sol
no pé da cama
entre o teto
vespertino
e carinho
peregrino
estreiteza de dobras
e travesseiros no horizonte
lá onde tudo
não faz diferença.
além da borda
aquém de traços
felicidade inventada
sorriso arrancado
e pintado no céu
silhueta e janela,
e a voz de alguém
não sai de mim


http://www.youtube.com/watch?v=3fpKncoeF3g&feature=related

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

un sogno

a noite lá fora
dispersa em estrelas e flores
caracóis
brinca de esconde nos cantos
do quintal e do jardim
escondendo o resto do mundo
no que seria um vazio profundo
que nunca existiu em mim,
só lá fora, quando é noite
e ela brinca

mundo de cama e peitoril florido
margaridas brancas
cortina verde claro
um sono que não acaba mais
sambinha, sambado,
dormido




http://www.youtube.com/watch?v=aA0sbMMFDQg

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

alto da sé

"E assim a gente não sai
que esse sofá tá bom demais!
Deixa o verão pra mais tarde..."



porque é realmente melhor ser alegre que ser triste...


toda janela ampla
todo sofá descansado
quintal de batuque
forno e fogão
cachorro e passeio
parque e silêncio
e o banho bem tomado
o cheiro sentido
o cinto largado
passado perdido
futuro pensado
corredor estreitinho
porque andar junto é melhor que separado
poesia escrita debaixo do sol
contada baixinho no lençol

naquele jardim pequeno e simples onde há de sentar um amigo meio bêbado sorrindo da vida e tocando um violão

ser feliz é pouco, quero teu sorriso toda manhã...

domingo, 9 de janeiro de 2011

un, deux.

composição de valsa mansa
dançando pelas horas da manhã
furtivo olhar
contido toque
vê-la dançar por entre espaços do dormir
batidas fracas de ponteiro de relógio
toques de pele que o lençol alcança

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

aquela música me lembra você

Seguir com os olhos pequenos detalhes de uma tarde tão quente, tão quente, tão quente. Assusta qualquer gota tocando a face, gotas de água e pensamento distante...



"should we go outside?" - ela diz
"are y'interested?" - eu coro...

the difference between the sprout and the bean is so simple and kind...

You're so sweet, we should not shine a light on, I wanna see your face in the natural morning light... - I said

She blushes...

mais Amor
por favor.




Mais doçura...