terça-feira, 29 de março de 2011

beira

enquanto adormecem os dedos
esticados
em avanço
absolutamente prontos pro toque
certeiro
depois que adormeço os toques
tão sonhados
no alcanço
absolutamente prontos pra os dedos
absortos
candeeiro
que pisca mas não apaga
brilhe
qualquer faísca
que o vento traga.






http://www.youtube.com/watch?v=drTe0lkSemo&playnext=1&list=PL73E0B243689522BF

quinta-feira, 24 de março de 2011

tempestade

o ricochete
é só a chuva
e a janela
em plena sintonia




Um chá, foi tudo que eu fiz esta noite, todo o resto era jazz e a descompostura dos tragos de vinho de mais cedo. a sala, que já foi maior, ainda corta minha vista da janela imensa, esta continua tão grande quanto eu poderia me lembrar, e lá fora é de um cinza escuro tão intenso, tão opaco, tão gigante quanto a coluna de nuvens pesadas e encaixotadas no céu poderiam estar, e estão. O jazz me dá nos nervos, eu queria mesmo era um Tango pra colar naquele corpo suado, embriagado, suado e embriagado e entregue, bem parecido com o Jazz ou com o Tango, talvez tudo isso seja um Samba. Tropeço pela sala pra sentir o vento que assobia forte nas frestas do alumínio, eu também tenho minhas frestas, espaços vazios, o vento me lembra deles e só me resta aumentar o som, ser como a janela que apanha da chuva e ainda assim é transparente e sólida. E tudo é chuva e uma música que nem mais sei definir, o chá ficou perdido lá pela mesa, agora quase no horizonte de minha visão, ou será que fui eu quem chegou no horizonte de minha percepção deixando tudo pra trás, já não faz diferença. Amarga um pouco esse gosto de chá na boca que bebeu vinho, a sobriedade dói pra chegar, um sorriso dói pra despontar, a lembrança é impossível de sair, mariposa que bate contra a lâmpada incessantemente, entre choques e brilhos, estalos e saudade, estalos de saudade. Tanta saudade.



a batida
é só coração
e sonho
na veia.

quarta-feira, 9 de março de 2011

borda leste

passa o rio que só passa
carregado de saudade
e barulho
passo eu que só esparso
acalmo em um só
mergulho

terça-feira, 8 de março de 2011

quero ver o céu cair
em trovoada batida ao chão
arranca pedaços de horizonte
varal estendido azul
subindo em cor, som nascente
pensamento meu e sol poente
entre tambor que grita seu nome
no ritmo maracatu
e explosão na superfície e alfaia
pra levar notícia do amor
que nasce na beira da praia
e carrega o mundo pro seu lado
ouvindo frevo lá no planalto
sugere lembranças
ainda há de levar
pra ver o céu cair
cobertor de sono
nosso e tranqüilo
jardim de flores pequenas e cheirosas
decorando do meu lado
seu trono