quinta-feira, 24 de março de 2011

tempestade

o ricochete
é só a chuva
e a janela
em plena sintonia




Um chá, foi tudo que eu fiz esta noite, todo o resto era jazz e a descompostura dos tragos de vinho de mais cedo. a sala, que já foi maior, ainda corta minha vista da janela imensa, esta continua tão grande quanto eu poderia me lembrar, e lá fora é de um cinza escuro tão intenso, tão opaco, tão gigante quanto a coluna de nuvens pesadas e encaixotadas no céu poderiam estar, e estão. O jazz me dá nos nervos, eu queria mesmo era um Tango pra colar naquele corpo suado, embriagado, suado e embriagado e entregue, bem parecido com o Jazz ou com o Tango, talvez tudo isso seja um Samba. Tropeço pela sala pra sentir o vento que assobia forte nas frestas do alumínio, eu também tenho minhas frestas, espaços vazios, o vento me lembra deles e só me resta aumentar o som, ser como a janela que apanha da chuva e ainda assim é transparente e sólida. E tudo é chuva e uma música que nem mais sei definir, o chá ficou perdido lá pela mesa, agora quase no horizonte de minha visão, ou será que fui eu quem chegou no horizonte de minha percepção deixando tudo pra trás, já não faz diferença. Amarga um pouco esse gosto de chá na boca que bebeu vinho, a sobriedade dói pra chegar, um sorriso dói pra despontar, a lembrança é impossível de sair, mariposa que bate contra a lâmpada incessantemente, entre choques e brilhos, estalos e saudade, estalos de saudade. Tanta saudade.



a batida
é só coração
e sonho
na veia.

3 comentários:

Mayra disse...

aumenta o volume da tua vontade, thiê, escreve e dança. na sala da tua mente, com vinho ou saudade. o importante é sentir: vontades e até saudades

Patrícia disse...

Sentir... seja o que for, se for intenso, é bom... ainda mais quando vira poesia.

Bom final de semana.

Lu disse...

e se isso não for sentir, o que é, então?