terça-feira, 28 de junho de 2011

Autumn Heart

todo filme que passa,

toda hora que corre

só a doçura me cura

da falta das coisas

que faltam no jardim da porcelana

pintada em minha parede

em minha pele.

todo dia que foge,

tudo em mim que engole

em seco

os caminhos que meus pés seguiram.

equivoco nos passos e nos olhares

a natureza das coisas gorjeia em mim palavras e sotaques,

são suas as asas que batem no céu,

não de pássaros,

tão minhas.

já nem reparo

eu que tanto já quis,

como só eu quis,

ser seu, amor.

terça-feira, 21 de junho de 2011

chuva de verão

dançam as teclas de um piano
molhando o ar com sua música,
de chuva, enchente, transbordos,
aqueles de lá de dentro de mim
eles que o mundo não conhece.

passo dias a pensar em sentidos
sinto dias pensando em passado
alguns brilhos distraem, nada completa
e só no amor recaio.
bate forte na barreira da percepção
(sim, ela possui uma barreira e não é à toa)
pesadas gotas de realidade
mostrada e escondida,
vale tão menos que a inventada,
mesmo quando a outra desponta
feito o sol que quase cega
no pimeiro raio do dia.

Ah! eu passo dias a sonhar
já que o sentir só me confunde
com outros nomes, já nem ensaio
pensar em meios, eu só recaio
sobre o amor, sempre me cerca
até quando não tento
mergulho
e nado nas gotas de chuva
todas em queda
mas que só remetem ao alto
lá onde o céu deixa de ser literal
onde eu posso ser amor.

domingo, 19 de junho de 2011

sobre tambores e terra

quebra céu no buxo
estufado de tanta vontade.
grita alto, ribomba retorqui
sobre tambores e terra
treme o mundo sem o toque
do amor que já não sentia
liquefeito na chuva grossa
nem da nuvem ele veria
esconderijo pra toda dor
onde sentido ele ficou
sentado molhado de amor
que pinga do buxo do céu
extasiado de tanta saudade
do tempo que não volta mais
e as gotas que não matam sede
tao cheias de barulho
tao vazias no silencio.
Ou era só uma chuva?