terça-feira, 21 de junho de 2011

chuva de verão

dançam as teclas de um piano
molhando o ar com sua música,
de chuva, enchente, transbordos,
aqueles de lá de dentro de mim
eles que o mundo não conhece.

passo dias a pensar em sentidos
sinto dias pensando em passado
alguns brilhos distraem, nada completa
e só no amor recaio.
bate forte na barreira da percepção
(sim, ela possui uma barreira e não é à toa)
pesadas gotas de realidade
mostrada e escondida,
vale tão menos que a inventada,
mesmo quando a outra desponta
feito o sol que quase cega
no pimeiro raio do dia.

Ah! eu passo dias a sonhar
já que o sentir só me confunde
com outros nomes, já nem ensaio
pensar em meios, eu só recaio
sobre o amor, sempre me cerca
até quando não tento
mergulho
e nado nas gotas de chuva
todas em queda
mas que só remetem ao alto
lá onde o céu deixa de ser literal
onde eu posso ser amor.

2 comentários:

Be Lins disse...

Eu também prefiro sonhar.

Esse poema está perfeito,
lindas metáforas, poderosas emoções,
amei demais.

Beijo, caríssimo.

Patrícia disse...

Que lindo! Adorei! :)