terça-feira, 27 de dezembro de 2011

tempos

Fato é que já havia cansado de dançar e queria vê-la sozinha, como um voyeur, e eu sabia o quão bonita seria sua dança, mesmo que não fosse pra mim, pouco importava naquele instante onde tudo eramos nós dois. E ela dançava. Eu por outro lado observava aquele segundo de vestidos esvoaçantes e um terror absurdo no peito, senti-me criança a fazer traquinagem com medo de ser pego, medo da surra que sei que levaria. Nada daquilo parecia correto, tudo aquilo tinha a verdadeira significação do maravilhamento. Havia algo de errado, eu sabia, eu temia. A concha que me levava até o mar, não muito longe, tocou seus dedos. De onde será que surgiu aquilo? A ansiedade pelo que viria (ou eu esperava que viesse) borbulhava no estomago junto com energéticos e algumas cervejas muito bem divididas. Ela não se atreveria, no íntimo eu gritava: “solta isso, menina!”, mas esqueci de dizer que meu íntimo é um desdobramento cruel de minha consciência, esta que relutava em aceitar o que meus olhos viam, esta que sabia o que estava por vir e previa o desastre entre quatro paredes e duas caixas toráxicas; Um movimento de mão foi suficiente (bobagem, ela já me encantava antes… mas sou poeta, tento tornar lírico pequenos momentos em mim, pra mim.), o toque no seu ouvido era pra ser meu, mas o búzio roubou meu lugar, minha tranquilidade se foi com o barulho de mar que ecoa em nós dois, búzio e homem. Era pra ser magnífica esta confissão, mas a criança traquina tiresiana nunca erra, e a surra se extende por metros e metros de couro, tanto quantos eu pudesse tatuar pra misturar na pele cor e dor. O que uns chamam de tristeza vejo como alento, graças a Deus que Heráclito foi bom comigo, enviou ao invés de um rio, o mar inteiro.

Não tenho âncora,

Não tenho vela pra guiar qualquer barco;

Nem sei se norte é norte.

Desamarro as cordas à favor da sorte.



“Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.”

V.M.

2 comentários:

Patrícia disse...

Adorei o final, principalmente.
Feliz 2012.

Be Lins disse...

Querido, Thiê!

Quero que saiba, antes que este ano termine ,
que muitas e muitas vezes foram as tuas palavras que me deram alívio, coragem, paz, entusiasmo...
o ano que finda não foi exatamente um grande ano para mim, na verdade, foi um ano que exercitei pouco o olhar e a generosidade e por isso, penei. Mas você estava perto, e muitas vezes me disse como chegar ao norte.
Você foi uma daquelas conquistas que marcam um ano e uma vida.
Obrigada por tudo!

Eu desejo que você seja muito feliz, desejo que você conquiste seus sonhos, desejo que você viaje muito, conheça belas pessoas, seja acarinhado e presenteado pela vida como você merece.

E as palavras.
Desejo que este intrumento que nos aproxima tanto, seja imensamente abençoada para alegria de todos que te lemos.

Um beijo enorme,
e que 2012 entre em sua vida
DANÇANDO PARA VOCÊ!