terça-feira, 31 de janeiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

passado presente

saí de casa
e o que há no bolso
não faz diferença
não é a presença
busco
no bolso da blusa
ou por trás
metáforas tortas
linhas tortas
olhares poucos
sussurros roucos
e saio de casa
de bolsa e bolso
cheios
não faz diferença
tudo fosse só
a sua presença
talvez não saísse
talvez só ficasse
pra ver o sol nascer
sob seus cabelos
vermelhos

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

e se você aparecesse
de surpresa,
ponta de pé,
de surpresa?
e o acaso acontecesse
do seu caso
com o meu caso
se casarem?
e nada mais
faria tanto
sentido, enquanto
sentado
lembro do espanto
e do quanto eu quis tanto
que você aparecesse
de surpresa
em minha vida,
ponta de pé,
e de surpresa
me roubasse de mim.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

sinfônico

orquestrado
no teu silêncio
sigo tuas mãos
cabelos, andar
passo a passejar
no trincar de olho
suas emoções emergem
transbordam
translucidamente enebriante.
no silêncio
danço tua valsa,
chorinho,
quase samba,
já nem sinto
quietos
os minutos que vão
longe
vão
segundos sem medida
de tempo sem som.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

intercessivo

desabam pilares,
sísmica sincronização dos céus
e chãos.
tremores internos,
tremores,
temores.
setentrionais amores
bóreos
auroreais.
o horizonte intangível
de longe ri-se colossal
em sua ignorância
do que há aqui dentro,
debaixo do couro
músculos e pelos,
emoção ou reação meramente química,
já não tenho tanta fé,
o ignoto
o que foge dos desabares,
desafia a intangibilidade horizontal
o ignoto;
o que nenhum céu
conseguiria
espelhar

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

naufrágio

e cave fundo
tão fundo
que o enterrado
confunda
olhar semicerrado
confunda
baú já naufragado
que afunda
no chão
do cais

aquém de mim
mar

e quando a nau é grande demais pra caber nós dois?
cheios de pequenos sonhos,
pequenos detalhes,
pequenices.
haveremos de nos perder, Adamastor
mas o medo da imensidão
é só o começo
do restrito
e desistente
bote;
remai.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

abuelita

pras tuas mãos que agarram
minha barba
mãos de guerra
e de vida,
hoje só carícias
sem malícias
tão minhas quanto
seus os pelos que segura
com o afeto
da corda
tão temperada pelos dias
de segurar
embarcações nas ondas,
pra elas
tudo,
em mim, paz.


(para Max Fonseca)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

sobre a luz do dia

as vezes dá vontade de falar
das luminárias,
pequenos sóis
particularmente ridículos
na falha empreitada
de alumiadoras
pouco encantadoras
fracas luzinhas
ínfimos candeeiros sem gás.

mas isso tudo é só porque
nas noites,
cômodos e incômodos que a escuridão traz
arrancando de mim aquele olhar que inclina
tentando ver no escuro algo assustador
não faz mais sentido

isso tudo é só porque
claridade tem nome,
sobrenome,
quiçá um dia, meu endereço...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ano novo

e o sorriso sol
iluminou a noite
por tanto tempo
tanto tempo
pouco fez diferença a vela
que queimava, pequenina,
prestativa na intenção
de acender
rostos
para outros rostos.
queima ainda tua pele
tuas unhas douradas
camufladas em minha pele
de muitos sóis
e muito sal,
contra todo mal
busquei em teu abraço
meu pedaço de mar
agradeci a Iemanjá
no meio da madrugada
atrapalhando seu sono
mas a bênção encontrada
vale qualquer castigo.
essa não será uma boa poesia
cheia de musica,
será uma confissão.
será o que eu quiser que seja
enquanto espero tudo o que quero
e o que será
de nós dois.