quarta-feira, 21 de março de 2012

reminiscências

tão perto
que o desenho das imperfeições
da tua pele
marquem-me
rasurem
meus traços
teus rastros
confundem
pela imensidão
macia dos lençóis
a sós
já não há
de nós
pouco a dizer
o que fizera
do quarto e de mim
deixa tão perto
imperfeições do meu caráter
meramente ruidoso
meus rastros
acertam na pequeneza
fria dos detalhes
tua pele, teu cheiro
apertam o ar no teto
há pouco espaço
pouco espaço
há pouco
eu era outro

de longe
desenhos de nuvens
Altas, indiferentes
decoram-lhe
figuram
os astros
encalços
perdidos no céu
ignoram-me,
nem balonista
fosse eu
faria diferença,
tanto a dizer
o que não fiz
de nós, do quintal
e paisagem
resta só a vontade
de ser nuvem também
pesado, chuvoso
tão Alto
e passar
por cima
do mundo

Nenhum comentário: