segunda-feira, 9 de abril de 2012

ao poeta da janela

é impossível escrever sobre o que passa
o que na rua... ... ... passa...
ignoram-me as coisas simples e complexas
e os meus gostos, gestos, sílabas
todo desacordo some
todo seu acorde come
desafeto ou desalinho que houvesse em mim
e o bonde que não pego
passa
a tinta que emolduramos
passa
toda a brevidade eterna do sorriso sincero
as vezes passa
e agiganta, arrasta, empurra relógio adentro
carrega consigo os dentes
e a fome de mostrá-los
pra que no futuro
quando tudo mais que há
haverá de ter passado
haja lembrança que no meio tempo
meia rua
a descomplexidade de dois braços
em abraço
nunca passaria


(para Tuio)

2 comentários:

tuyo disse...

E é assim que recebo, como um abraço, como um laço de braços, essas tão singelas palavras tuas. Sinceras e sempre belas, pinceladas no céu da vida dando nuances nunca dantes imaginadas, mas rara vezes sentidas...

Que os bondes passem, mas possamos sempre nos encontrar nas estações para trocarmos afetuosas palavras e abraços.

Ellen Joyce disse...

Quero Thiê, Tuyo e três taças de vinho. E Dionísio, José, Vinicius e quem mais quiser.
Seus fofos!