domingo, 29 de abril de 2012

touro na casa VII

Tudo começa em samba, acaba em cama. Há mais movimento em meus pelos sob a roupa cuidadosamente escolhida pra te agradar que na praça aqui em volta, sussurros em meu ouvido, bagunçados pelo barulho, arrepiam; teu toque em minha mão. E no meio de falar sobre Clarisse, happiness, carnaval e quarta-feira de cinzas: "Olha a lua, lá no fundo do mundo, roxa..." e ela vai morrendo devagar pra acender a noite e escuridão, fazer valer os outros sentidos sempre esquecidos, queria te sentir nessa noite sem lua, tatear seu universo em meus dedos, saber dos toques, do desenho que nosso suor faz brilhar.
É fácil falar de estrelas e céu, imensidões que contagiam e enobrecem qualquer amor, eu queria era dizer das pedras em cima da mesa, sua obsessão por arruma-las nos quadros brancos, a falta das pedras e do café subornado com cinismo, dos amigos que rodeiam, rodeiam, sempre rodeiam: o centro é teu. E a chuva cai pra fazer correr, pra molhar cabelos arrumados sobre roupas que não foram a primeira escolha, pra dar vontade de fugir e ouvir Bon Iver pra sempre; a noite despreza planos, há muito mais planejado para nós que a própria decisão pudesse um dia imaginar, aquietemos silentes e de meio-sorriso tímido em face (por dentro é que ele explode em gigantismo e descontrole).
Sou tua balança, libra,
teu balanço.
e com o tempo mostro
que não canso
com o tempo mostro
que não canso
mostro
manso
o que só com o tempo se pode ver


pra ser Vinicius de uma só

e te ler cotidiano feito respirar,
deixar antes de dormir ou acordar
morrer
o medo


poesia em vida
poesia.

2 comentários:

Ellen Joyce disse...

Ah, só mais uma coisa!
Vc sabe, né?

[Nem's] Neemias Santana disse...

Deus do céu!!
Perdi o fôlego, literalmente.
Adoro o som e o ritmo de teus textos.