quinta-feira, 24 de maio de 2012

amanhã nunca mais

só...
e quando o drama toma conta
é na encenação da vida
vivida feito palco em si mesmo
que as sombras tomam forma
teatro de iluminações
venham todos os diálogos
que sou só retórica
sem retoques

me prometi que disso sairia um belo poema
que sei de poema?
faço chiar as suspensões do carro
chiam meus joelhos
nos buracos da rua onde passo
sem pena
em cena seria outro, mas não há
agora
expectativas
nem espectadores

esperaria eu que viesse toda formosa
pra ensinar a dor a saber
passar?
demora a vida inteira
e sem sorriso não dá
sem recomeços, não dá
não dava,

onde levanta voo o amor
senta pra pensar teus quadris
extinguo do palco minha essência
nunca fui qualquer Amadis
não sei empunhar espada
não sei ao certo o lugar
onde haveria de estar
mas por sorte
me encontrou

na coxia.

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