quinta-feira, 17 de maio de 2012

Véspera

Abria a janela devagar. A chuva havia começado há pouco, era hora de refazer o ar do quarto com a brisa fresca, abria a janela pra que pudesse respirar.
Vésperas são deveras angustiantes, sensibilidade deixa de ser uma palavra ou uma característica pessoal e se transforma em pele, irradia, redevasta os pelos e poros atrás de qualquer toque ou imaginação de toque que possa arrepiar, fazer chorar, vontade de sorrir, trancar-se do lado de fora de casa sentindo-se só e do lado de fora sozinho. Vésperas: não é possível imaginar que haja singular nesse caso, sempre vem acompanhada de tanta coisa, lembranças de mil anos, acontecidas e inventadas, confundidas, quando tudo que se quer é esquecer.
A noite e Debussy fazem tanto sentido
Tuyo, Saulo, Kinha e Ellen Joyce fazem tanto sentido
Miloca faz tanta saudade,
Pernambuco nunca esteve tão longe, tanto quis mandar lembranças à Paraíba...
Abria a janela devagar. A chuva voltou a bater ládefora forte e a brisa me invade, quase sufoquei escrevendo, abria a janela pra que pudesse respirar.
A vontade de entender as vésperas, vesperar,
desesperar meus sentidos em montanha russa
o universo em expansão em meu estomago
universo em expansão
tão miúdo que sou, tam sen sabor, sen rezao,
Mas à noite muitas coisas surgem
e quase tudo faz sentido...
ajeito a porcelana de vidro e plástico em minha mesa
ajeito porque tudo faz sentido,
amanhã de manhã é dia sem vésperas,
hoje tudo foge, tudo é chuva a bater na janela,
Ellen Joyce faz tanto sentido,
Abria a janela devagar. A chuva havia vesperado há pouco, era hora de redizer o ar do quarto com vida fresca, abria a janela pra que pudesse respirar.

2 comentários:

tuyo disse...

Sentimento faz tanto sentido que chegar a ser dispensável dizer o tanto de sentido que tem...

Ellen Joyce disse...

S2