quinta-feira, 21 de junho de 2012

tiro o pó das coisas.
antes que eu fosse menino
e descobrisse azuleza no céu
distante,
do bazar antigo da rua oito
e do sapato verde claro como os olhos,
dos milhares de quilômetros
que já não sinto que passaram,
da vergonha,
de brasília e de recife
do paço alfândega que ainda me sossega,
da saudade infinda,
ergue no peito e brinda
de taças e vinho vagabundo,
dos amigos que não sinto falta,
dos que me doem não ver mais,
dos que me esqueceram,
(e sinto que não conseguiria
fazer um livro que comparasse
à poesia de Vinicius e de Neruda
que sapateiam em meu equilíbrio
com versos calçados
e saltos de marfim salgado)
do Humaitá ao meu quintal
que tanto senti falta quando criança
das lembranças misturadas
com verdades que nem lembrava
e mentiras que quis esquecer,
tiro o pó das coisas e espalho no ar.
nostalgia é muito mais bela
quando em iminência
de queda livre.

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