segunda-feira, 30 de julho de 2012

doce salitre

tem feito dias de sol
e sal voador, imensos.
acostumado desde menino
a me sentir forte imponente
diante de pequenas vitórias
crente em Deus e Iemanjá
que as ondas que eu batia
de mãos finas
eram tudo que o mar tinha de mais forte.
tem feito dias de sol
vez em quando, quando em vez
olho a janela e o salitre
acumulado nas beiras
dentro de mim e minhas beiras
nunca imaginei que poema
com sol e mar e sal e beiras
pudesse ser triste
sequer pudesse ser mais que descanso
balanco de rede
mas hoje é só
a vontade de amarinhar
sentada na areia
de livros meio lidos
e pegadas semi pisadas
sal quase salgado
mar entre-posto
e a eterna sensação de viver
nas questões de tempo
enquanto o tempo dure.

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