segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mãe maior II

meu quarto faz dias, e faz dias em mim que eu espero passar o mal estar, ele faz dias, conta minutos dentro de mim, brinca de relógio e me deixa cedendo areias por dentro, querendo, fazendo segundos, faz dias que estou estando, fazendo sentidos segundos passarem, nunca mais darei corda no relógio, nunca mais. tua memória tranca segredos, carrega os castiçais iluminadores dos salões de dança que decoram seu olhar perdido, sinto saudade de seus passos, instabilidade de humor, unhas sem pintar. te vejo de longe lavando pias de pratos sujos onde se escondem vergonhas e a vontade sua de ser de novo graciosa, de força bruta, potência motora, move mundos e tamanhos. teus olhos azuis ainda me fitam, eu queria mesmo que nunca esquecesse que te amo, vó; minha barba, minha pele riscada, meus olhos castanhos; eu aindasempre te amo.

Um comentário:

Be Lins disse...

Quanto encantamento em te ler, meu caríssimo Thiê, e que amor sublime este dedicado à essa flor de delicadezas que descreves com teu coração de moço bem nascido.

Quero te desejar tantas coisas boas, mas sobretudo, que cuides de não deixar a tristeza no comando. Poeta que és, flertas com ela, mas guarda de ser feliz, pelo simples fato de mereceres.

Beijos
e FELIZ NATAL!