quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

saltador

e todo o dia triste
ia lá
afogava pensamentos
sem boias, nem pena.

os cachos soltos da moça que passa
abrigo de páginas
e seus olhos verdes,
uma terra descansada.

fitarei
a poesia
esvanecer:
lá tudo
acontece

corrida das horas
repouso dos pés
no plano
que feito o chão
vai ficando pra trás

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

efim

sou novo
de
novo

passa tudo quanto passa e nada fica
dos caminhos mal percorridos
dos tropeços
nem as unhas
do pé sujo de barro
mantive
cortei os pés
agora
meu negócio
é
voar

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

qualquer carta

cantei amores que não há,
brilhei ladrilhos opacos
lustrei a mesa de cortiça,
e quando tudo desmoronava em silêncio,
tive esperança.
matéria dos tolos, esse prendimento
contentamento
consternação irascível
contra a parede maciça,
sobram rosto, mãos, ombros, tudo machucado,
feito batida de carro,
mas nada muda,
não adianta bater contra parede,
que hei de fazer então, Saulo?
o telefone não toca e o silêncio rasga,
não toca,
e eu queria estar falando do amor dos outros
escrevendo qualquer carta
vendendo laranjas na beira da estrada,
mas cantei amores que não há,
o que fazer quando o brinquedo é quebrado?
o brinquedo quebrado,
brinquedo quebrado;
brinco de pérolas
de olhar nuvem
de ver o tempo
passar

-alô?

disse que tinha um compromisso hoje cedo.
não falou sobre.
me acordou e era engano.
era Pedro
que amava Daniel que mora em Frankfurt
quadrilha de Carlinhos enquanto
sambo no meio da cidade.
era engano.
muro e engano sem tinta pra se pintar
era sua mão cheia de dedos
e sua bipolaridade.
era eu que amava ela
que ama tecnologia, horóscopos, moda e seriado.
era passado
que ama lembrança
sua mão cheia de dedos não me tocam
(não sou touchscreen)
era Caetano
e era engano.
em Santo Amaro existem flechas negras
é sempre eu tentando
não sentir o peso
do seu sorriso frio
que me castiga, vezes paralisa
meu sorriso
por engano.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Amaro

monólito desgovernado
me amarro em sua fronte
rolando montanha abaixo
calado.
Amaro, amar é deveras torto
morto
seixo de praia perdido nas águas,
remédios, misturas e lucidez
embriaguez de vinho pobre,
ressaca de março em plena terça feira.
quando o estômago dói faminto,
sedento, em guerra com o resto do corpo,
é a doçura insustentável
da indiferença indiscreta
e escandalosa
os segundos que torturam o relógio
ausente
o veneno vagaroso
irretornável invomitável
descendo pedra precipitada no abismo
rasgando o vento do oco
bate no fundo seco
salino
onde já foi mar

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

timmer

Olinda despeja
ladeiras do alto
pra baixo e cima
calorimenso
minha carne é
de carnaval
meu coração
cinza e quarta;
bahia
rio, pernambuco
o raio que o parta

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

thiê

teu olho
acende a manhã
na pupila

meu olho
brilha
cacos de vidro ao sol
bola de gude perdida na grama

a tarde levanta vôo nas asas de um pássaro qualquer,
sem nome, minhas asas.
padeço do mal das tardes que vão
anoiteço um pouco a cada dia
sem aprender a voar.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

issoemmimpassa

a banda brinca de lá da janela
pro outro lado
que não sou eu, é carnaval.
aqui me doem articulações
falta de tempo
olhos fechados
álcool demais
e o resto todo de menos.
gente que não sei ser feliz
issoemmimpassa
mas como dói,
em mim passa,
há de passar.
tenho atrevido
até a dizer
que desaprendi
a dançar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

ameaça de morte

perco a mão;
não na cozinha,
asfixia e
poesia,
perco a mão
no tapa que a cara pede
quando tudo que eu sei
é dar carinho.

1 de fevereiro

gil cava um buraco no chão
do meu peito
enterro os pés
sem saber ao certo
o efeito
faria tão perto
qualquer toque
mais carinho
mas um pouco
eu sozinho