quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Amaro

monólito desgovernado
me amarro em sua fronte
rolando montanha abaixo
calado.
Amaro, amar é deveras torto
morto
seixo de praia perdido nas águas,
remédios, misturas e lucidez
embriaguez de vinho pobre,
ressaca de março em plena terça feira.
quando o estômago dói faminto,
sedento, em guerra com o resto do corpo,
é a doçura insustentável
da indiferença indiscreta
e escandalosa
os segundos que torturam o relógio
ausente
o veneno vagaroso
irretornável invomitável
descendo pedra precipitada no abismo
rasgando o vento do oco
bate no fundo seco
salino
onde já foi mar

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