sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

qualquer carta

cantei amores que não há,
brilhei ladrilhos opacos
lustrei a mesa de cortiça,
e quando tudo desmoronava em silêncio,
tive esperança.
matéria dos tolos, esse prendimento
contentamento
consternação irascível
contra a parede maciça,
sobram rosto, mãos, ombros, tudo machucado,
feito batida de carro,
mas nada muda,
não adianta bater contra parede,
que hei de fazer então, Saulo?
o telefone não toca e o silêncio rasga,
não toca,
e eu queria estar falando do amor dos outros
escrevendo qualquer carta
vendendo laranjas na beira da estrada,
mas cantei amores que não há,
o que fazer quando o brinquedo é quebrado?
o brinquedo quebrado,
brinquedo quebrado;
brinco de pérolas
de olhar nuvem
de ver o tempo
passar

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