domingo, 10 de março de 2013

manhã

eu sei, bê, decepcionei.
a cidade engole tudo
daqui de cima, são quinze andares,
eu vejo o mar
eu vejo horizontes móveis
eu vejo móveis voarem altura abaixo,
sou tão cego...

Saulo me chamou pra escrever um livro
sobre delicadeza,
que sei eu?
anfetaminado
sinto desejos diante o espelho
reflito os traços no meu corpo
o porto da barra
continua ali

só,
bato minhas ondas na praia
sem sequer banhista desnudo
ou vestido que estivesse
passa um barco
e não sou eu.

revolvo correntes
por dentro de mim
encharco as areias
por pura
e completa
vaidade,
netuno de um copo,
imenso, só eu vejo.

falta verso que faça entender o universo
falta verso
e sobra verão
soberba
minha barba
muitas bocas
poucas palavras

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