sábado, 9 de março de 2013

ventilador

mal ventila, mal enxergo,
brinco de bem-me-quer nas luzes que passam
é nove de março, verão e calor a pino
sem águas de despedida,
na meia noite que não passa,
eu e milhões de outros por aí
estamos só.

não há sequer
um telefone tocando
casal trepando
(minhas mãos contam luzes)
(perco a conta, bem ou mal)
desfiz-me das roupas, o corpo ficou.

mandei carta sem destino
nem data de chegar
nem sequer paguei as taxas,
qualquer dia eu descubro
onde é que foi parar
minha poesia

meu pieguismo
é culpa

meu alcoolismo
é só mais um alcoolismo
mais uma garrafa
e a minha incompetência até em ficar bêbado
resignado