sábado, 22 de março de 2014

o silêncio de tocaia no escuro
da noite
e dois olhos grandes de segredo,
olha-me.
nos três dias 
que se passam
num instante
chego a imaginar
que a medida do medo
é o tempo.

quinta-feira, 13 de março de 2014

minha

e pra vida que passa:
teus girassóis,
teu parto,
minha parte
um esparso
tempo
no braço
não passa.

segunda-feira, 10 de março de 2014

pra cada pedaço seu
caber

desfaço as malas

derramo café
transbordo lençóis
escovo dentes,
penso amanhã
como seria
se só o amor
sobrasse.
penso em termos curtos
de sintaxe miúda,

o quão pouco
espaço

entre pessoas
e minérios.
não há ouro que valha,
revestido no couro
pedrífero,
e tiras e resmas
de gente pensando
outras coisas
por desejar.

que seja duro,
que saiba brilhar.