sábado, 28 de junho de 2014

me recuso
a falar do tempo,
eu já não aguento
tudo que passou.

eu queria bossa
ou mais um licor,
veja, meu amor,
nada nunca vai.

bebi cada gota
pulei cada onda
já não lembro bem
o dia do mês


quinta-feira, 12 de junho de 2014

curva perigosa

vesti teu espartilho
e te chamei de minha,
apertei tanto
tantos sentidos
engasgados.
emaranhos presos
entre costelas
e ferragens
de um acidente natural
de tudo que engoli
com o que nunca disse.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

na mão.

engulo minha língua
e todos os dentes,
e a noite que passa
muda e banguela
me atropela
sem nenhum grito
de aviso
ou desespero.
desacostumada boca
de vazio.
dessorriso
vago.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

nada demais.

queria dizer tudo pra ela.
mas é sempre assim, todas elas que passaram, mereceram ouvir tantas coisas, e eu que fiquei, não fui capaz de dizer. 
toda vez que eu escrevo penso nela, ou que tomo banho... minha barba crescendo pensa nela.
depois que uma passa, leva outra multidão. me enxergo de noite na varanda abrindo uma válvula de escape, qualquer musica vagabunda é sempre de amor.

não pode ser só isso.

vira razão pros dias: acordar, pensar, correr pro trabalho e pensar, ir dormir de noite e ensaiar um sonho, acordar sem lembrar de nada, desejando ter sonhado.

mas aí eu desapego, desespero, paranóio, descarrego, descalceio, paranauê tudo dentro de mim. 
eu sempre caio
nessa sua piada
de 
me amar,
mas só amanhã.

(nem um baseado de alívio, ou o que quer que seja que se anuncie.)

queria dizer tudo pra ela.

domingo, 1 de junho de 2014

amor nos tempos do nada


feito um terminal
pessoas passam,
cabeças baixas,
passo depressa,
sem muito reparar, 
e o medo de mudar
de rota.

tudo é desencontro
de mãos.
esbarros
e um relógio central.