terça-feira, 24 de novembro de 2015

no quintal

no fio da faca
na mesa
todo brilho fino é
amolado em reflexo

troco o corte
por um pouco mais
de nós, 
um pouco mais de sorte.





Ouvir isto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

difference

me dei conta
ontem, cozinhando tarde
enquanto amassava
sovava
sorvia
o pão,
que tudo fora da mesa
era um imenso
vão e desperdício
acho até
que 
nada fiz da vida
sem saber
que era tudo
que havia
pra ser feito.

sábado, 22 de agosto de 2015

passagem

só pra lembrar
que eu ainda penso
naquele dia
aquela manhã
o mundo dormia
e eu sentado ao lado daquele ofurô
tentando entender
a coragem de ir embora
a vontade de
ser
fotografado ali
e você só dormia
sem pensar em nada.

àquelas tuas delicadezas.

tudo é sempre
a mesma coisa
um ver o que não se veria
nos outros, nas outras
em quem quer que passe
que tente
ficar
na minha vida,
mas sem saber
ao certo porque tanto eu queria
que fosse ela;
o resto todo padece
de poesia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

luz alta

aquela sensação
de carro 
na estrada de noite
no meio do goiás
que há entre tudo que nunca entendi
o além.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

proibido nadar

é sempre bom
lembrar
que todo mergulho
que mirei fundo
(dentro)
foi acidente
de
pernas e asfixia
no mar
na beira.

talvez minha mira
nao seja
certeira.

sábado, 18 de julho de 2015

mesa

antes de apagar a luz,
abrir o pote
de geléia,
deixar ali, às moscas,
feito
não quisesse estar alí
nem gostasse do sabor
não sentisse
que era minha
a mão
do abandono.

terça-feira, 14 de julho de 2015

sem jeito

um jeito torto
de transformar
tudo sempre
em quase,
muito feito talvez,
fosse mais
do mesmo.

sábado, 11 de julho de 2015

estrangeiro

eu nem preciso
de rima
ou
forma
pra dizer
que nada
na vida
devia ser
dito
sem
poesia.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

corta

perdi o meio
do filme

e vi as cenas de novo
pra ver se acredito
o quão distante
em tanto escuro
por quanto tempo
em quais momentos

filmei

ou era eu
ali
sentado
sem saber pra onde ir

quarta-feira, 10 de junho de 2015

era pra ser poesia

dói um pouco
toda vez
que eu engasgo
enquanto engulo
cada pedaço
das madrugadas 
acesas 
entre erros e defeitos
e uma vontade sem tamanho
de mudar.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

desassossego

odeio até 
o movimento do vento
que assovia 
dentro de mim
no vazio
de tudo
que
eu
esperei
de 
ti

reza

eu sempre esperei 
um milagre.
não há janela em minha vida
que não tenha sido
um pouco de estupa
um muito de pedido
um tanto de joelho
um santo, uma culpa
um perdão.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Delta

todo dia que o dia
vira sol  
e é amanhã,
depois das três,
um mês, quiçá 
eu ainda espero
e tanto quero
que tudo faça
sentido 


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Além

Coragem é dizer "Sim". É fácil olhar para o mundo errado, para as pessoas que aparentam trilhar caminhos tortos, olhar com olhos de não ver direito, colocar tudo no mesmo balaio, como diria minha amada avó, e virar a cara para o futuro. Dizer não é um alívio, isenta da responsabilidade sobre qualquer desastre ou catástrofe social que venha a acontecer, sobre inclusive a responsabilidade dos próprios atos, aquele jeito cretino de olhar para as coisas e pensar: "eu tinha dito que não daria certo". Eu quero o sim, pra variar. Olhei pra todos os erros dela, os aparentes, ouvi falar bastante da absoluta falta de coerência de seus pensamentos e ações, seus medos, seus anseios, sua loucura, suas manias, seu ciúme, sua falta de capacidade de acreditar no mundo, e tudo isso me deu um nó. Me vi ali em pé de frente pra mim cheio de medo do primeiro beijo, e a boca dela eu já conhecia, o abraço, o carinho, o profundo vazio de sentido em tudo, dela, também era meu. E conhecia todos os detalhes dela por me sentir desenhado por sua fala auto-descritiva, fui me sentindo em casa. Cada defeito nosso se encontrava e brilhava no escuro de algo que eu fui formando devagar, Porta, Tapete, Mesa de Centro, lá Dentro, eu sabia que podia sentar e dormir vendo séries em cima dela, era meu lugar no mundo. Coragem é dizer sim, principalmente quando dizer "sim" é tudo que resta, o "não" me livraria do conforto de um toque macio, do medo de crescer, do absoluto pânico irremediável de olhar nos olhos dela e me sentir perdidamente apaixonado, deixar a barba do tamanho certo, dobrar a manga da camisa no recorte perfeito do perfume que eu sei que ela gosta de cheirar, sonhar em sentir o aroma do café que eu um dia quero preparar enquanto ela dorme. "Sim"? Eu me calei para as dúvidas, pro erro, pra qualquer que seja o problema que possa vir. Amar é mais ou menos assim: o silêncio da certeza de que dias melhores virão...

quinta-feira, 30 de abril de 2015

love feat hax

impor no ar
ali no canto da sala
o som.
pus nossa musica
pra sentir
vir na fumaça,
na quase luz
a guitarra
que ouvi
língua na língua
aquele solo
no meio
de dois. 
 


quinta-feira, 23 de abril de 2015

censura

não tenho muito o que dizer
quando não posso,
por questões contratuais
de contextos 
e consenso
cretino e coletivo,
dizer um pouco 
sobre o que
só diz respeito
à mim.

espero que fique clara
a ditadura
e a rebeldia. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

espuma

desfazer rimas
na beira 
na borda
maréonda.
deixar ir sendo
quando
medroso, arenoso
seu azul vier por cima
por qualquer lado
fazer a praia.

ser 
um e um
são
dois
no meio do nada
o vento
e água 
pra tanto tempo
que nunca mais
eu vou embora
do seu
ser 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

charme

a vida em preto e branco:
espanto
e alarme.

a sala ampla

tudo mudou;
em tudo um pouco
daquele filme, do nosso charme. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

ultimato.

atiro alto tuas cartas
teu drama
o lençol de tua cama,
pra dizer que não.

 não aceito mais.
não mereço mais.
despenteio mais.
é ultimato:
                 (mentira)




 ainda guardo teu bilhete
na carteira
no bolso
no
olho.

sábado, 4 de abril de 2015

trança

teu fio de cabelo
dentro de minha camisa
de noite;
depois do dia
do suor
do sorriso;
é a poesia que eu encontro
pra dormir
do seu
lado

quinta-feira, 2 de abril de 2015

bastille

brande tuas espadas
against my arms

nada vai
ficar impune

just keep
lovin

já eu
nem sei
de onde veio
o primeiro tiro

a distância

sempre entendi
tua presença
em todos os
cômodos
em todos os
traços
em qualquer
dos espaços

sou preso
nas suas fronteiras

a distância

descansa teu peso
em meus calos
pra sempre,
ou pesa mais um pouco
em cima de mim
de manhã

terça-feira, 31 de março de 2015

terapia

tanto fiz,
quanto quis
e tudo fez diferença.

eu ia realmente
ser mais preciso
direto
menos poesia.
mas em dia
de chuva, eu só penso em você.

acho que chove
até quando
faz
sol

Sem querer

importante lembrar
mais vale
um amor daqueles
noves fora, dentro
que eu já não sei bem
sobre o que estava falando.

sábado, 28 de março de 2015

nada demais

te vi atravessando a rua
de camisa branca
de sorriso branco,
dali pra frente
achei tudo 
meio assim
dentro de mim.

segunda-feira, 16 de março de 2015

manda avisar

carregue, baby
teu sorriso pela casa
tanto quis te ver 
assim
ela é tua pra sorrir
lá na rua nada faz
tanto sentido
quanto aqui.

amanhã de manhã
quero dizer
ao acordar
que te amei
desde o dia
que houve dia,
que o sol nasceu.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

abraço

amor,
 eu quis te escrever uma carta,

 mas tem dias
 que dias vem e vão,
e tudo parece passado.

um vinho forte
e muita sorte
 pros que virão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Don

esse passar das coisas,
dias,
ruídos no tempo,
dentro de mim.

esse surtar
momentos
e o medo 
de um dia
não saber
como falar.

esquento água prum chá,
pôr panos quentes,
esse calor.
há de passar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

deriva

sentir-se só:
misto de barco solto,
no coração,
na garganta,
bem feito nó
navegante.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

sobre suas praias

tento 
com todos os dedos 
em máxima extensão
convulsivos sobremesa
entre garfos e água de coco
tocar 
o coração
dela

mas tá tudo aqui dentro.
sorri sem graça, ela nem viu
quanto eu pensei e quis e fiz
afogo em nó de marinheiro
elaemmim

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

pairo

muito pouco me toca
a alma.
amar é sempre um susto,
esse ir e vir
deve ser passarinho,
no ar
pa(i)ra 
sem saber 
vive do que dexiste. 
um dia aprendo a voar.